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Euphoria chegou ao fim mais chocante do que nunca.

Eu lembro quando a HBO exibiu o primeiro episódio de Euphoria. Foi uma coisa inesperada e chocante. Até escrevi sobre isso na época. Mostrava a jornada de Rue (Zendaya) com as drogas e o seu relacionamento com outras pessoas de sua escola. Em 2022, quando a segunda temporada (crítica aqui) foi exibida, a terceira já tinha sido aprovada. Mas demorou quatro anos para chegar ao público, em grande parte para acomodas as agendas dos atores que viraram astros, como Zendaya, Jacob Elordi e Sydney Sweeney. E nesse domingo, teve seu último episódio – da temporada e da série. Euphoria teve seus bons momentos, mas em geral o criador Sam Levinson enlouqueceu demais nessa temporada e mostrou que na verdade é um tanto misógino, e um voyeur inveterado.

 

A temporada começou mostrando Rue como mula de drogas no México, Nate e Cassie envolvidos com seu futuro casamento e problemas de dinheiro. Lexi e Maddy estão trabalhando nos bastidores de Hollywood. Jules virou uma sugar baby. E inventaram uma história que Fez foi preso para lidar com a morte do ator, Angus Cloud. Também foi a última oportunidade de ver Eric Dane como ator, já demonstrando as dificuldades de lidar com sua doença. Drogas, dinheiro, prostituição, Only Fans, tudo faz parte do universo enlouquecido de Sam Levinson em sua despedida.

O que achei?

A grande verdade é que Sam Levinson quis reinventar sua história. Euphoria deixou de ser uma série de drama de adolescentes para virar um faroeste moderno. A ideia é até interessante, especialmente considerando o elenco sempre ótimo, e produção, direção, fotografia trilha sonora de primeira linha. O problema é que o criador deixou-se levar por seus instintos mais primatas. Explorava o corpo das atrizes, especialmente Sydney, que teve cenas grotescas e humilhantes. Isso sem contar as roupas de Maddy (repare no final do episódio 7), e todas as linhas de história que mostravam os homens fazendo e desfazendo de mulheres nos mais diversos níveis.

Com isso, a internet se virou contra ele, que outrora tinha sido considerado a voz de uma geração. Há rumores inclusive de brigas dele com a própria Zendaya. Ou seja, a série perdeu sua identidade, e se rendeu a truques baixos de semi-pornografia. Mas, é claro, há coisas boas, entre elas especialmente as participações de Colman Domingo (que também esteve nas temporadas passadas e no especial de Natal) e Sharon Stone. Ela não tem muito a fazer, mas quando aparece o brilho de estrela acontece sempre.

O último episódio

In God we Trust teve 1h30 de duração. Mais da metade dele mostra a jornada de Rue. E aqui Levinson, creio eu, consegue uma certa redenção ao mostrar um final digno e condizente com a personagem. Zendaya pode ter discordâncias quanto ao rumos da história  (quem não?), mas deu o melhor de si para o desfecho de Rue. Só que isso custou algum tipo falta de finalização para outros personagens, como por exemplo, as irmãs Lexi e Cassie. Essa última mais ainda, não teve nem uma despedida. Mas providenciou também bons finais para os dois “vilões da história”. E gostaria de saber se a última cena, na verdade o último frame, foi sério ou irônico, especialmente por causa das ditas brigas de Zendaya com Levinson. Gostaria de opiniões, rsrs.

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