Costumo dizer que adoro descobrir filmes pouco badalados – e bons, claro – que estão disponíveis no streaming. E recentemente descobri um que veio através de uma dica. É Touch, da Netflix – não confundir com a série homônima estrelada por Kiefer Sutherland. Este é um filme bem romântico, uma produção da Islândia e do Reino Unido, que se passa em duas linhas do tempo. Gostei muito.

Touch acompanha a jornada de Kristófer (Palmi Kormákur quando jovem, e Egill Olafson quando velho), um homem islandês que resolve ir atrás do seu primeiro grande amor mais de 50 anos depois. Em uma jornada emocional extrema, vivendo agora como viúvo e solitário na Islândia, Kristófer se lembra de Miko (Kôki), sua namorada da década de 1960. Eles se conheceram em Londres, quando ele era estudante. Miko era filha do seu chefe quando ele era lavador de pratos de um restaurante japonês. Os dois se apaixonam perdidamente, mas com um sumiço repentino, ambas as vidas tomam rumos bem diferentes. Agora, ele tenta entender o que aconteceu, e onde ela está, antes que seu tempo se esgote, bem no período da pandemia.
O que achei?
Se há uma coisa que me comove é o ” e se…”. E se tivesse falado naquele momento? Se tivesse tomado uma atitude diferente? E se tivesse escolhido outro caminho? A gente nunca sabe o que poderia ter acontecido, e por isso mesmo, o caminho não percorrido parece ser sempre tão triste, já que poderia ter significado uma felicidade maior. E esse é o ponto de Touch. Palavras não ditas, verdades que ficam sem ser conhecidas ficam no passado. A jornada de Kristofer para saber o que realmente aconteceu há 50 anos, e para reencontrar o amor inigualável (o primeiro amor sempre é) vai emocionar você com certeza.

O filme trata com grande sensibilidade a história dos dois. Enquanto Kristofer busca Miko por países e continentes, acompanhamos a história de amor dos dois. E com isso o filme trata não só a situação dos dois, mas também um panorama social e político, que não vou entregar para não estragar a experiência. Só posso dizer que torna tudo ainda mais triste e dramático. Já aviso que você vai se emocionar especialmente na cena do restaurante no Japão.

Kristofer jovem é feito pelo filho do diretor, que é um rapaz muito bonito. Não é um grande ator, mas tem uma doçura que funciona especialmente no papel. É até difícil acreditar que se tornaria um homem como o ator que o faz quando velho. Mas a vida tem dessas coisas, e todos estão muito bem – e o velhinho tem seu charme, rsrs. O certo é que a história é tão bem contada, tudo é tão bem feito, que um mero detalhe como esse não fará a menor diferença. Simplesmente embarque nessa história que com certeza vai conquistar seu coração como fez com o meu.









































