Glen Powell é um daqueles atores que passam simpatia mesmo fazendo um personagem que é um assassino. Mas, ultimamente ele vem se repetindo um pouco. Em seus mais recente papéis, ele faz um homem que se faz por outro, ou que esconde suas reais intenções. Foi o caso, por exemplo, de Assassino por Acaso ou da série Chad Powers. É também o caso de Manual Prático da Vingança Lucrativa, que eu perdi no cinema, e agora estreou na Prime Video. Tem um certo charme, um ótimo elenco, mas acaba sendo repetitivo, e um final que deixa um gosto amargo.

O filme acompanha Becket Redfellow (Glen Powell), herdeiro de uma vasta fortuna multibilionária, que está disposto a fazer qualquer coisa para obter o que acredita ser seu por direito, inclusive matar. Becket é filho da filha deserdada da abastada família Redfellow. Enquanto ele viveu uma vida humilde ao lado da mãe, seus primos e tios aproveitavam a herança construída pelo patriarca. São esses sete parentes ricaços que estão entre Becket e a imensa fortuna de 28 bilhões de dólares. E ele é capaz de orquestrar um plano vingativo ambicioso: matar cada um dos familiares que estão no caminho da sua herança.
O que achei?
Confesso que tenho uma certa dificuldade de acompanhar histórias com personagens tão amorais, tão desesperados por fazer qualquer coisa por dinheiro. Com isso, achei difícil de gostar de Manual Prático da Vingança Lucrativa, mesmo que Glen Powell seja um cara tão simpático e carismático, que é impossível você não gostar dele. E o roteiro ainda nos direciona para esse caminho, já que os parentes eliminados são um bando de imprestáveis. Além disso, também há um romance verdadeiro no meio ( com Jessica Henwick, de Punho de Ferro), e uma história triste da infância. Junte-se isso ao olhar de bom menino de Glen, e lá está você torcendo por um assassino, rsrs.

O filme é uma adaptação de As Oito Vítimas, filme de 1949, com Alec Guiness, que eu nunca assisti (está disponível na Belas Artes a la Carte). Há algumas situações repetitivas, especialmente as que envolvem Julia , personagem de Margaret Qualley. Ela está sensacional, uma verdadeira femme fatale de film noir sempre vestida de Chanel. Mas suas aparições poderiam ter sido mais bem roteirizadas. E o filme tem ainda uma sempre benvinda pequena participação de Ed Harris. Com isso, no final, Manual Prático da Vingança Lucrativa acaba entretendo, mas o final (especialmente com o barulho claro do portão) é beeem amargo. Se você não estiver no clima pra isso (eu não estava), é melhor procurar algo mais leve.

Curiosidade: a música de Juca Chaves, Take me Back to Piauí toca na cena final do filme. O menestrel sem dúvida iria se divertir muito com isso, rsrs.








































