Confesso que não gosto muito de Tina Fey -acho que faz sempre a mesma coisa ( menos como apresentadora do Globo de Ouro). Talvez por causa disso acabei não tendo muita vontade de assistir Quatro Estações, que fez grande sucesso na Netflix, inclusive possibilitando uma segunda temporada ( e já tendo sido renovada para uma terceira). Mas meu amigo José Augusto Paulo assistiu – e adorou. Então ele escreveu aqui essa crítica – e deu vontade de ver.
Quatro Estações
Quando escutamos falar em quatro estações, várias ideias podem nos vir à mente: clima, um ano, música de Vivaldi, analogia de uma vida, algumas pinturas, as mudanças que o tempo nos traz. A série tem a criação de Tina Fey, Lang Fisher e Tracey Wigfield. Se baseia no filme e depois também série, concebidas por Alan Alda (que aparece em dois episódios da serie atual). Consegue compactar cada uma dessas ideias, e misturá-las em episódios que divertem, surpreendem e por vezes nos fazem pensar, mesmo sendo um desses programas fáceis de assistir.

A história
A história em si é bastante simples. Três casais, amigos de longa data, passam uma semana juntos, em diferentes localidades, a cada estação do ano. Corriqueiro até, embora a viagem a ocorrer em cada estação já me parece diferente. Sobre esse plano simples se desenvolvem várias tramas. Tem um humor constante, por vezes delicado, por vezes mais cerebral, mas também com um toque de absurdo. Acabamos por rir mesmo em um momento de perda, uma total surpresa ainda na primeira temporada.

Anne (Kerri Kenney) é casada com Nick (Steve Carrell). Os dois recebem em uma casa a beira de um lago, seus amigos para uma semana na primavera. As primeiras cenas do primeiro episódio mostram Kate (Tina Fey), casada com Jack (Will Forte), indo buscar Danny (Colman Domingo – que também dirige dois dos episódios) e seu marido Claude (Marco Calvani) . Detalhe: depois descobrimos que o nome do personagem é Cláudio, dado que italiano, mas mesmo na Itália outros personagens também se referem a ele como Claude. A ideia é todos irem para o lago. Esse tipo de interação será uma constante pelos outros episódios. E aspectos até mais íntimos de cada relacionamento serão vividos em frente a plateia dos outros quatro, isso quando não envolvem também filhos e outros familiares.

E ainda…
Tudo isso é regado a uma trilha musical deliciosa. Tem muito Vivaldi (como não poderia deixar de ser em uma série com esse título). Mas também utiliza outros compositores desse mesmo período e ainda tem algumas canções mais contemporâneas para acompanhar eventos anuais. Entretanto notei que a música também acaba agindo como um intervalo, uma pausa para pensarmos sobre os mais recentes desenvolvimentos, ou mesmo para que os personagens o façam.

Não é uma série que nos traga muito o que pensar. Mas nos dá um certo prazer observar a vida de seus personagens. Não nos confrontamos com grandes dúvidas ou ações que possam alterar uma existência, mas na sua leveza nos traz realidade, sutil, mas crível, possível, inegável. Eu diria que é bem no estilo de Alan Alda, com aquela calma, com um toque de gravitas. Entretenimento, talvez mais leve, mas dos bons.









































