A chegada dos streamings nos fez conhecer muitas produções escandinavas, que no passado não chegavam aqui (só Bergman e olhe lá…). A Netflix tem várias muito boas, recomendo, por exemplo, Areia Movediça e Deadwind. E há pouco tempo chegou no serviço o filme A Mulher Secreta. Já estava com vontade de ver porque tem no elenco o Claes Bang (que fez o Drácula – crítica aqui). Mas depois de ler a crítica de meu amigo José Augusto Paulo, fiquei ainda mais animada. Veja abaixo:

Crítica de A Mulher Secreta
Na Alemanha, os filmes e séries sobre investigações policiais atraem boa audiência. Especialmente aos domingos quando alguns canais podem exibir até três diferentes (e um geralmente sendo britânico). Talvez pelo idioma germânico, ou mesmo por certas semelhanças culturais, foi pela Alemanha que os outros europeus se deram conta da produção deste tipo de filmes vindos dos países escandinavos. Na sua maioria, estes eram criados a partir de séries de livros de sucesso (a Alemanha continua a ser o maior mercado de livros do mundo, mas os escandinavos, embora menos populosos, não ficam muito atrás). E da Alemanha para o resto do mundo foi uma jornada de menos de uma década.

Séries escandinavas são agora acessíveis por vários canais de streaming. Foi assim que um filme como A Mulher Secreta se tornou amplamente disponível e conhecido. Para quem nunca assistiu filmes dinamarqueses, o ritmo pode parecer meio
stacatto (destacado, entrecortado ou abrupto), meio andante, para não dizer fora de ritmo. Mas isso se deve ao idioma, que tem esse andamento em si. Junta-se a isso como escandinavos processam emoções (Hedda Gabler me vem a mente assim como os filmes de Bergman), porém eles são excelentes como tramas mentais.

A história do filme é até simples. Uma mulher, Louise (Natalie Wolfsberg) tem um café em uma localidade pequena, mas turística da Noruega. Ela acaba ficar noiva de Joachim (Pal Sverre Hagen). Um dia ela recebe a visita de um estranho que insiste que a conhece com outro nome, Helene. Com a insistência, ela decide ir conhecer o que dizem ser sua família . Vai então para a Dinamarca. Lá descobre ser a herdeira de um magnata da navegação e que ela mesma trabalhava na firma do pai. Joachim inicialmente acha difícil aceitar a estória como verdade, algo que a própria Louise/Helene tem dúvidas no início por não se lembrar de nada.
Mas algumas coisas lhe parecem estranhas e ela dá sinais a Joachim de que talvez haja mais nessa história do que simplesmente um desaparecimento seguido de amnésia. É quando o filme muda de tom, daquele da descoberta de sua vida para suspeitas, tensão e medo daqueles que agora lhe são próximos. A trama é inteligente, baseada em texto bem escrito. A história é crível, com suspense bem dosado, atuações convincentes e belas localidades, tanto na Noruega como na Dinamarca. Sem dúvida, uma excelente forma de se conhecer a produção dinamarquesa moderna, assim como a sua maturidade da produção de mistérios policiais. Não irá ser o seu filme do ano, mas vale como entretenimento.









































