A presença de Ricardo Darín no elenco é quase sempre a certeza de um ótimo filme. Por isso fui correndo ver A Terapia Certa, que chegou na Netflix no fim de semana. O filme é uma comédia irônica e ácida, bem a o estilo argentino, rsrs. A primeira metade é sensacional, a segunda nem tanto.

Darín faz Ulises, um psicanalista de sucesso que depois de muitos anos de carreira se tornou cético da própria abordagem. Sem fé alguma nos métodos psicológicos tradicionais na sociedade, ele passa a manipular seus pacientes sem que ninguém saiba. E com isso, desafia a todos que entram em seu consultório. Essa nova abordagem secreta parece estar dando extremamente certo. Mas tudo muda quando um escritor famoso, que está sofrendo com bloqueio criativo, chega para uma sessão. E isso vai mudar a vida de ambos para sempre.
O que achei?
O filme já começa apresentando claramente quem é o personagem. Isso traz uma certa empatia com a plateia que poderia achar que ele seria muito pedante. Há um bom momento inclusive em que outro personagem diz que ele sofre de Complexo de Messias. Isso se refere a figuras centrais que acumulam todas as responsabilidades, sentindo que ninguém mais é capaz de executar a tarefa com a mesma qualidade. Você deve conhecer alguém assim, que toma as decisões pelo outro, sem perguntar o que o outro realmente deseja ou prefere.

Com isso, há situações absurdas que, a princípio, dão certo. Até aí o filme funciona perfeitamente. O problema começa quando Ulises começa a se envolver demais com a história do escritor Martin (feito por Diego Peretti) Há ali uma pretensão hitchcockiana, com algumas cenas de suspense bem feitas, mas que desviam muito a história do que já havia sido apresentado até então. É óbvio que o foco do diretor é a relação entre Ulises e Martin, mas sinceramente eu acho que funcionaria melhor se essa fosse somente mais uma história.

E no final…
Há ainda o relacionamento interessante de Ulises com a filha (Antonia Bengoechea, sobrinha de Darín na vida real) – queria ter visto mais desses dois. Mas em tudo, quem se destaca é Darín, claro, sempre um intérprete carismático e sensacional. Diego Peretti é outro grande nome do cinema argentino, e também funciona bem. Mas se quer saber, o momento que mais gostei acabou sendo uma sequência em que Ulises leva uma paciente para enfrentar a mãe – fantástica presença das duas atrizes. E o final também é simpático. Mas está muito, mas muito longe, de estar entre os destaques da carreira de Darín.









































