Gosto muito de Pedro Almodóvar. Seus filmes sempre dramáticos, com as emoções levadas às últimas consequências. Ata-me está entre meus filmes da vida. E entre os recentes gosto muito de Julieta e de Dor e Glória. E agora, chega essa semana aos cinemas, seu mais recente filme, Natal Amargo, que inclusive teve a pré-estreia em Cannes, Natal Amargo. Confesso que me cansou um pouco. Não está entre os melhores de Pedro, mas sempre vale assistir.

Natal Amargo acompanha duas histórias paralelas que se desenrolam entre Madri e as Ilhas Canárias. De um lado, a publicitária Elsa (Bárbara Lennie) perdeu a mãe durante as festas de natal e afoga-se no trabalho. Não tendo espaço para lidar com o luto, um ataque de pânico severo a obriga a tirar uma pausa. Logo ela decide viajar para Lazarote, nas Ilhas Canárias, ao lado de sua amiga Patricia enquanto o marido, Bonifacio, permanece em Madri. O outro ponto de vista da trama acompanha Raúl Durán (Leonardo Sbaraglia), um diretor e roteirista que enfrenta dificuldades em separar a realidade da ficção.
O que achei?
Logo percebemos (não é spoiler) que a história de Elsa é uma criação de Raul, que está escrevendo seu novo roteiro. E vai adicionando coisas de sua vida e das pessoas que o cercam sem o menor pudor em seu roteiro. Pedro adora contar histórias paralelas, e aqui faz um mix usando metalinguagem, onde criador e criatura seguem um determinado caminho. Assim como Dor e Glória, Pedro coloca muito de si em seus personagens. E como Raul, ele percebe seus defeitos e as coisas que não deveria fazer, mas o personagem de Raul não consegue perceber seus erros. Pedro deu uma entrevista inclusive dizendo que neste filme ele mostrava a visão mais cruel dele mesmo.

Os temas de enfrentar seus fantasmas da criação e a cura pela criação se parecem muito com o que Pedro já abordou de maneira mais eficiente em Dor e Glória. Quando vi que tinha Leonardo Sbaraglia também no elenco deste, achei que poderia ser uma continuação, mas não é. O problema maior é que há explicações demais de cada uma das situações, e tudo de uma maneira bem didática – até demais. E isso o torna cansativo. Até mesmo a forma como ele mostra a canção interpretada por Chavela Vargas, que tinha tudo para ser emocionante, acaba cansando pela forma e momento em que é mostrada.

Mas, é claro, mesmo os filmes mais problemáticos de Pedro são melhores que 90% das produções cinematográficas que andam por aí. Há sempre uma riqueza de detalhes, o uso das cores fortes e da trilha sonora é sensacional, o elenco em sua maioria é altamente eficiente – Aitana Sanchez- Gijon é ótima. Então, se você é fã, vá assistir, mas não espere demais.









































