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A comédia com crítica social de One Day at a Time

Normalmente dou preferência às séries dramáticas e de fantasia por puro gosto pessoal. E, com isso, acabo deixando de ver algumas séries com atores de quem gosto muito, como é o caso de Rita Moreno em One Day at a Time. A série é um reboot de outra de grande sucesso nos anos 70. Ela têm três temporadas disponíveis na Netflix. O serviço acabou cancelando a série, que foi resgatada nos Estados Unidos por um canal chamado Pop TV, que já começou a exibir a quarta temporada por lá. Por aqui não se sabe qual será o futuro dela. Meu amigo José Augusto Paulo assistiu as três temporadas da Netflix e escreveu sobre ela aqui. Dê uma olhadinha!

One Day at a Time

Como gostei de Justina Machado em Six Feet Under, e meu pai era fã de Rita Moreno, decidi tentar ver essa série que, na verdade, é a recriação de uma outra com o mesmo nome e enredo parecido. Ela foi ao ar entre 1975 e 1984, sendo considerada como uma das de maior sucesso na CBS-TV. Mas a nova série tem tantos paralelos quanto diferenças com a original.

A versão de 2017 mostra três gerações da mesma família cubano-americana que vivem na mesma casa. A mãe é uma ex-militar recém-divorciada (Justina Machado), sua filha é adolescente (Isabella Gomez), o filho um pré-adolescente(Marcel Ruiz), e ainda há sua mãe conservadora (Rita Moreno aos 85 anos quando a série foi lançada). O dono do apartamento onde moram (Todd Grinelli) vive de renda, mora no andar de cima, mas ajuda a família como pode. A versão de 1975 mostrava as aventuras de uma mãe divorciada, suas duas filhas e o zelador do prédio em que moravam em Indianápolis, todos ‘brancos’.

A crítica

Embora as atrizes principais sejam de origem porto-riquenha, assim como o ator que faz o filho, interpretam uma família cubana ‘com gusto’. Rita Moreno praticamente rouba quase todas as cenas em que está (o episódio em que canta Happy Birthday, a la Marilyn Monroe, é uma das cenas mais engraçadas da série). Está ótima e vibrante com mais de 80 anos. Os episódios tendem a misturar bem a comédia e o drama. Vez por outra a personagem de Justina ‘sobe no banquinho’ para dar seu recado sobre as perenes injustiças que ainda permeiam a sociedade americana. Há críticas veladas, e bem feitas, ao tratamento dado aos veteranos de combate. Também são mostradas as diferenças culturais normalmente ignoradas e até aspectos de preconceito em vários níveis. Só que, algumas vezes, as críticas são dramáticas demais, com conteúdo de menos.

E no final…

O roteiro e fotografia seguem o modelo clássico de comedias de TV das décadas anteriores. Quase a totalidade das cenas é filmada em estúdio, o constante apartamento é usado como cenário, com luz artificial, muitas cores e formas nos objetos. A atuação de Justina é melhor em drama do que em comédia, enquanto que Rita domina bem os dois lados. O roteiro poderia ser um pouco mais profundo. Entretanto a superficialidade sempre rendeu bem nesse estilo de série, mas é nos silêncios onde se acentua o drama. Uma grande diferença da série de 1975 é que, na  atual versão, os ‘brancos’ são mostrados como não muito brilhantes, tímidos, estereotipados. Já os ‘latinos’ tem todo o vigor, a persistência, a alegria de vida, e sabem se desvencilhar de tudo o que a vida lhes põe no caminho. Será esse um retrato mais politicamente correto dos dias atuais nos EUA?

Sem percebermos, nos acostumamos com a família Alvarez. Torcemos por seus sucessos, simpatizamos com seus desafios e queremos vê-los de novo, um dia de cada vez.

 

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