Já vi muitos filmes que contavam histórias que fazem parte de A Odisseia, de Homero. Lembro de uma minissérie dos anos 90, chamado justamente de A Odisseia (indisponível no streaming), e um filme dos nos 50, chamado Ulisses (pra quem não sabe Odisseu é o nome original em grego, enquanto Ulisses (ou Ulysses) é a sua versão latinizada, criada pelos romanos). Ulisses é estrelado por Kirk Douglas, e está disponível no Looke e Belas Artes a la Carte. Isso sem contar os filmes de Ray Harryhausen de Simbad, diretamente influenciados pelo livro. Mas, é claro, nenhum deles é uma produção tão grandiosa como A Odisseia, de Christopher Nolan, que chega aos cinemas nessa quinta. Tem cenas incríveis, grandes atuações e não cansa, mesmo com suas quase três horas de duração.

A Odisseia de 2026 acompanha as aventuras do herói grego Odisseu (Matt Damon) em sua volta para casa após a Guerra de Troia. O guerreiro enfrenta criaturas míticas e deuses em sua jornada épica de retorno onde sua esposa Penélope (Anne Hathaway) o aguarda, com vários pretendentes batendo à sua porta. O rei de Ítaca descreve sua trajetória esbarrando com seres como o Ciclope Polifemo, as sereias e a feiticeira/deusa Circe. Paralelamente, seu filho Telêmaco (Tom Hollland) sai em busca do pai.
O que achei?
Tudo começa com a visão do cavalo de Troia, lembrando muito a estátua da liberdade de O Planeta dos Macacos. A partir daí, a narrativa vai e vem com momentos do passado e do presente. Odisseu relembra sua jornada desde a ida para Tróia, a batalha e ainda sua jornada para casa que durou 10 anos. Há cenas incríveis em cada um dos momentos dessa jornada. Gosto especialmente de toda a sequência com a feiticeira Circe (Samantha Morton, sensacional), e a sequência tétrica e assustadora em Hades. Também o uso da trilha sonora faz com que a batalha final no castelo faz tudo ainda mais tenso. A que menos funciona, e é até mais longa do que deveria, é a do ciclope Polifemo. O gigante parece bem mal feito. Pode ser uma homenagem aos filmes de Ray Harryhausen, mas não funcionou numa super produção como essa.

Matt Damon não seria o ator que imaginaria como Odisseu, mas ele funciona – e está muito bem fisicamente. Tom Holland, sempre um bom ator, se sai muito bem como Telêmaco, um personagem muito mais jovem do que ele é na vida real. Os grandes destaques do elenco ótimo são Anne Hathaway e Samantha Morton – ambas merecem indicações na Temporada de Premiações.

E ainda tem muito mais gente famosa no elenco que tem grandes momentos, como Charlize Theron, Robert Pattinson, Hamish Patel, John Leguizamo, Mia Goth, Jon Bernthal e até Benny Safdie (de quem você mal vê a cara). Muita gente reclamou das escolhas de Lupita Nyong’o (Helena) e de Elliott Page (Sinon). Mas, Christopher Nolan é um cara inteligente. Os dois funcionam muito bem em seus papéis, e ainda deram uma maior visibilidade para o filme por causa do conflito preconceituoso.

E no final…
No final, é um grande filme, talvez nem tanto como muitos esperavam. É grande, mas não é surpreendente ou histórico. Tem uma belíssima fotografia, figurinos, direção de arte. E com certeza irá receber várias indicações para o Oscar.









































