Costumo dizer que meu gosto é bem eclético – gosto de todo tipo de filme . Só basta ele ser bom (às vezes nem isso, rsrs). E fiquei feliz de ter visto dois ótimos filmes de gêneros totalmente diferentes que chegam esta semana aos cinemas. São eles a ação Três Horas para Viver e o drama de época A Terra do meu Pai. Ambos são muito bons e merecem ser vistos – veja aqui o que achei deles.

Três Horas para Viver
Na história, uma garota de sete anos está esperando pela chegada de um fígado capaz de salvar sua vida. A carga preciosa é protegida por Hank Malone (Alan Ritchson, de Reacher), um entregador de alto nível. No entanto, a tarefa que parecia simples se transformou em uma perigosa missão de vida ou morte para ele quando o líder de um importante sindicato do crime (Rodrigo Santoro) passa a querer o órgão para si. Angustiado, Hank, juntamente com Ben Bishop (Owen Wilson) entra em um jogo de caça e fuga para entregar a encomenda a garotinha em um período de tempo menor do que 3 horas.
Três Horas para Viver acerta em fazer um buddy movie (filme de amigos) que mistura ação e comédia de forma bem eficiente. Além dos montes de explosões, perseguições, tiros, facadas, há também partes divertidas que mostram bem a química entre o quietão Hank e o falante Ben. Paralelamente acompanhamos a situação da garotinha no hospital ao lado da mãe (feita com louvor pelo ótima Leila George, filha de Vincent D’Onofrio) . E também vemos um pouco do lado do vilão feito por Rodrigo Santoro. Ele está ótimo, nojento mesmo, e de vez em quando solta várias palavras em português. Se saiu bem.

E o filme reserva várias situações inesperadas, especialmente no final. Confesso que fiquei surpresa com algumas escolhas do roteiro, especialmente no final (#semspoilers) . E isso é muito bom. Vale o seu ingresso.

A Terra do meu Pai
O filme acompanha a história de Thomas Mann e sua filha Erika. Vencedor do Prêmio Nobel de Literatura, este homem decidiu embarcar em uma emocionante viagem ao lado de sua filha em pleno auge da Guerra Fria. Explorando uma Alemanha completamente em ruínas, e dominada pelos soviéticos, ele retorna após ficar 16 anos exilado no país. No entanto, ao retornar para sua casa na Alemanha, ele reencontrou muito mais do que a sua amada pátria, e sim polarizações e divisões extremas, até mesmo em sua família, que criaram feridas profundas e jamais cicatrizadas.
Dirigido por Pawel Pawlikowski, A Terra do meu Pai venceu o prêmio de direção em Cannes, e é o indicado pela Polônia para o Oscar de Filme Estrangeiro. Só lembrando que outro filme de Pawel, Guerra Fria, já foi indicado em 2019. Dessa vez, o diretor fez um filme curto (1h22) com momentos de grandes silêncios, música clássica, e um drama contido dos dois personagens principais. Ou seja, não é para todos os gostos, mas tem grande profundidade e uma parte técnica sensacional. A história se baseia em fatos, apesar de algumas diferenças que são normais em transposições para o cinema. E claro, tem os fantásticos atores principais.

Hans Zischler é um veterano com mais de 250 créditos como ator, e está tocante como Thomas Mann. E Sandra Huller é sempre sensacional – ela inclusive foi indicada ao Gotham Awards por este papel. Deve estar presente na Temporada de Premiações, não só com este filme , mas também com Rose (pelo qual concorreu no Festival de Berlim) e Devoradores de Estrelas (aqui como coadjuvante). É esperar para ver.









































