Há alguns filmes que parecem muito perfeitos para que a gente aceite uma nova versão. Mas eu acho que é válido tentar, até porque o original nunca sairá de circulação não é mesmo? Entre os filmes perfeitos que já vi na vida está Razão e Sensibilidade . Foi o filme que me fez devorar todos os livros de Jane Austen lá nos anos 90. Dirigido por Ang Lee com Emma Thompson responsável pelo roteiro (vencedor do Oscar), é um de meus filmes da vida (está disponível na HBO Max). Mas eu fui de mente aberta assistir ao novo Razão e Sensibilidade que estreia nessa quinta nos cinemas, com Daisy Edgar Jones no papel principal. É bom, mas nunca seria um “filme da vida”.

Após a morte do patriarca, que deixou as heranças e propriedades da família para seu único filho do primeiro casamento, a viúva Sra. Dashwood e suas três filhas são deixadas sem residência fixa ou renda para sobreviver. As quatro, então, mudam-se para um chalé em Devonshire de uma prima distante que caridosamente a concede para a família. Os problemas, porém, permanecem, já que a falta de uma fortuna diminui as chances de matrimônio da romântica Marianne e da pragmática Elinor. Enquanto isso, Marianne se interessa por John Willoughby enquanto o coronel Brandon tem sentimentos por ela. Já Elinor se encanta por um já cavalheiro chamado Edward Ferrars, que tem um grande segredo.
O que achei?
É óbvio que o elenco é inferior. Como competir com Emma Thompson, Kate Winslet, Alan Rickman e Hugh Grant? Mas todos são esforçados nessa nova versão. Ressalto aqui Esmé Creed-Miles (filha de Samantha Morton) e George McKay (de 1917) como Marianne e Edward. Estão ótimos. Mas o resto não tem comparação. Repare aliás em Eliot Sumner, filha(o) de Sting (que não se identifica com um único gênero), que faz o papel de Mr. Palmer, que no original era feito por Hugh Laurie. Ela(e) não funciona num papel chave da segunda metade da história.

Assim como Persuasão (que está na Netflix), esse novo Razão e Sensibilidade deixa a dever na emoção. Tudo é mais contido, escuro (culpa da fotografia) e, devo dizer, sem graça. Há cenas que perdem totalmente o impacto da versão de Ang Lee, caso da cena em que Edward retorna para dizer que está solteiro. Essa cena sempre me emocionou, e aqui fica apática – parece até que a diretora Georgia Oakley quis se distanciar o máximo possível com o objetivo de fazer algo com a sua cara. Caitriona Balfe (Outlander) tem pouco a fazer como a mãe, mas Fiona Shaw se diverte como uma Mrs. Jennings que tem mais visibilidade do que na versão dos anos 90. E reconhece a jovem atriz que faz o papel da irmã caçula, Margaret? É Bodhi Rae Breathnach, de Hamnet e Missão Refúgio.

De qualquer maneira, se você nunca viu a versão de Emma Thompson, com certeza irá gostar dessa produção de 2026. É bem feitinha, e fiel ao texto de Jane Austen. Mas me parece que tem muita Razão e pouca Sensibilidade.









































