A série Heartstopper, da Netflix, fez um enorme sucesso. Teve três temporadas (a crítica da primeira está aqui). E agora, estreou esse fim de semana também na Netflix um filme que é uma sequência da série. O título é Heartstopper: Para Sempre. Ele cobre o que foi contado no livro Heartstopper: Volume 6 e o livro curtinho de Nick and Charlie, ambos de Alice Oseman. Meu amigo José Augusto Paulo, que é super fã da série, já assistiu, e escreveu aqui um texto delicioso.

Heartstopper Forever
Séries algumas vezes incluem filmes entre suas temporadas ou terminam com um filme. Nem sempre é um grand finale, mas como um fecho especial para a história que temos seguido. E assim foi com a série britânica Heartstopper, que se baseia nos livros que alcançaram grande sucesso com um público leitor mais jovem e transferiu bem para a tela, incluindo algumas das vinhetas em desenho presentes nos livros. Heartstopper fez de Kit Connor (Nick) e Joe Locke (Charlie) estrelas conhecidas não só dos que assistiram a série , mas também nas redes sociais.
A história segue no dilema que estávamos no final da última temporada: Nick está para escolher uma universidade. Isso significaria ir para longe de onde moram. E o pior, Charlie ainda tem um ano pela frente. As dúvidas sobre se esse primeiro amor de adolescentes sobreviveria à distância, à comparação com outros amigos, e outros fatores, seja pela ainda relativa imaturidade dos personagens, ou por seus desafios com problemas pessoais ou mesmo pela bagagem que já carregam apesar da tenra idade. E mesmo com tudo isso, a série não ficou chata, repetitiva, ou ‘batendo na mesma tecla’. Ao contrário, queríamos saber no que iria dar. Seja porque eles pareciam um casal especial, seja porque todos nós tivemos um primeiro amor, ou mesmo por curiosidade.

Mas, é bom?
O filme não desaponta. Sim, sente-se que é mais ‘adulto’ do que a série. Afinal, na serie podíamos deixar as crianças na sala e seria talvez até educacional, uma forma sana de se ver relacionamentos entre jovens, etc. Já o filme já tem mais cenas de natureza sexual, que talvez as crianças ainda não devam ver. E ainda, o filme parece uma produção mais bem cuidada, com mais usos de efeitos na fotografia, com cores mais fortes, e sem maiores monólogos. Segue bem a ‘novella’ de Oseman chamada Nick and Charlie, que é bem escrita, mas sem querer ser Austen ou Brontè.

Há um otimismo que pontua a série e que tem seus momentos no filme. O humor é delicado, mas presente. As atuações são de qualidade, especialmente nos momentos em que crises acontecem. E há realismo. Estivemos naquelas festas, roubamos aqueles beijos, ficamos ansiosos quanto ao amanhã, e rejeições já nos pareceram o fim do mundo. Não iremos confessar, mas estivemos em várias cenas tanto da série como do filme.

Mas nesta era pós Rivalidade Ardente, há quase que uma obsessão em se comparar toda e qualquer produção LGBT com o fenômeno canadense. Esquecem os internautas de plantão que Heartstopper não só surgiu antes, como também não trata de amores clandestinos. Seus personagens principais não seriam esportistas famosos e existem mais criadores de talento nesse mundo do que somente Jacob Tierney. Sim, Heartstopper tem uma cena na discoteca que tem nuances da que aparece na outra série. E, sim, os personagens principais estão quase em situações paralelas, mas mais por coincidência do que intenção. Assista, mas não as compare, e verá um resultado melhor.









































