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A crítica social de Um Homem de Sorte da Netflix

Pra começar, o Um Homem de Sorte do título não é o filme de Zac Efron, baseado no livro de Nicholas Sparks. Este aqui é um filme dinamarquês, dirigido por Bille August. Ele é o diretor de Pelle, o Conquistador, vencedor do Oscar e da Palma de Ouro. Gosto muito de seus filmes. Recentemente vi Trem Noturno para Lisboa (disponível na Amazon Prime). Vale a pena! Meu amigo José Augusto Paulo assistiu Um Homem de Sorte, uma produção de 2018,  com 2h42 de duração.  A crítica dele está a seguir:

Bille August e os atores do filme

Um Homem de Sorte

A Revolução Industrial teve uma grande influência no desenvolvimento da literatura. O aumento da população urbana expandiu o número de leitores. O Romantismo foi muito beneficiado. Mais tarde, na segunda metade do século XIX, houve a expansão da alfabetização. Isso também contribuiu para a popularidade de livros e publicações em geral. Com as mudanças sociais os assuntos evoluíram. Da busca e realização do amor, e historias mais caseiras, para uma análise e critica social mais ampla. Estas quase sempre vinham com alguma lição moral, como que para educar as classes ascendentes.

É nesse viés que encontramos Lykke Per (Afortunado Per), escrito por Henrik Pontoppidan. Ele recebeu o Prêmio Nobel de Literatura em 1917. Foram oito volumes entre 1898 e 1904. Este se tornou um dos livros mais conhecidos na Dinamarca (algo entre Dom Casmurro e Vidas Secas para eles). O trabalho é parcialmente autobiográfico.

A história

Um Homem de Sorte é mais uma versão em filme desse clássico. Conta a história de Peter, o filho de um pastor luterano do campo que sonha em ir para longe. O rapaz tem facilidade para matemática e engenharia. Ele  desenvolve, mais na mente do que no papel, um projeto de canais. que deveriam atravessar a Dinamarca. E também um sistema de moinhos para coletar energia do vento. Essa era uma ideia muitíssimo inovadora para a época em que o carvão era a fonte de energia dominante.

Peter se muda para Copenhague, para estudar engenharia. Mas, sempre acreditando que já sabe o suficiente para realizar o seu projeto. Por casualidade, conhece o membro de uma das famílias ricas da cidade. Eventualmente se torna namorado e depois noivo de uma das filhas. Tudo parece caminhar bem para Peter. Ele agora se chama Per, uma versão mais aristocrática do seu nome.  É quando o futuro sogro junta-se a outros possíveis investidores para seu projeto. Só que o orgulho e arrogância de Per se põe no caminho do seu sucesso. O autor Pontoppidan salvou-se de igual sorte dedicando-se à literatura que lhe trouxe a fama e o sucesso que a engenharia não lhe traria.

A crítica

O filme é um pouco longo (isso era esperado pelo tamanho do livro). Mas é  muito bem feito, com excelente atuações e impecável recriação de época. Há muita luz em varias das cenas. É como  se pretendesse nos lembrar de como o personagem principal é ‘iluminado’ pela sorte. Mas fica mais escuro com o desenrolar da história.

A lição moral em si é fácil. Especialmente porque é impossível assistir ao filme sem ver que Per está desperdiçando conscientemente excelentes oportunidades. Inclusive nos pegamos lamentando sua sorte. E também os danos que causa àqueles que estão a sua volta. Um clássico de peso filmado com elegância e estilo.

 

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