Eu acompanhei desde sempre a carreira de Brooke Shields. Ela é um ano mais velha do que eu, então era o máximo ver alguém da minha faixa etária virar estrela de cinema quando era menina. Obviamente não pude ver Menina Bonita na época (só muitos anos depois), mas consegui entrar em Lagoa Azul e Amor sem Fim. Brooke era o ideal de toda uma geração. E a gente nem podia imaginar o que havia por trás de tudo. A sua história é contada no documentário A História de Brooke Shields, com duas partes de cerca de uma hora, que está disponível no Disney Plus. Vale conhecer.
Brooke conta sua história na primeira pessoa. Desde o casamento falido dos pais, a determinação da mãe em torná-la uma estrela – e também os problemas dela com bebida. E há uma certa inocência em admitir que para ela a nudez e os papéis onde a descoberta do sexo era uma constante, enquanto ela própria ainda era virgem. Mostra também quem foi seu primeiro parceiro, e admite que Michael Jackson foi só um amigo. Fala sobre as conquistas profissionais e os grandes fracassos, e também sobre seu problema com a depressão pós-parto.

E ainda…
Várias pessoas participam da história dando seus depoimentos. A mais surpreendente para mim foi Laura Linney. Isso porque as duas são amigas desde a infância, então viveram muitos momentos juntas (veja a foto abaixo). As declarações de Laura são cheias de carinho, uma verdadeira amiga. As duas filhas e o marido de Brooke também estão no documentário. A parte deles é até tocante, pois sentados à mesa, eles discutem do ponto de vista de hoje em dia os filmes de Brooke.

O documentário também se posiciona em colocar como o “estouro” da carreira de Brooke foi um espelho de uma época. E como essa fascinação de todos com uma menina maior de idade em cenas sensuais mostrou o quanto a sociedade era doente. Mas o destaque maior para mim foi a inocência de Brooke com respeito a tudo. É possível ver em entrevistas como ela não deixou que aquela situação toda tirasse a sua alegria de viver. A maioria das jovens não sobrevive a isso.

O documentário ainda mostra seu relacionamento com Andre Agassi (e o casamento dos dois), tem uma catarse no que diz respeito à relação com a mãe – quase um pedido de perdão – , mas creio que erra no final. A parte mais recente de sua carreira fica praticamente de fora. Praticamente, tudo termina com a morte da mãe, e a “briga” pública com Tom Cruise a respeito de depressão pós-parto. Ou seja, falta muito, mesmo que a carreira de Brooke hoje não seja um décimo do que já foi. Mas creio que merecia algum destaque. O documentário é de 2023, mas essa parte de sua carreira merecia mais reconhecimento, especialmente como um carinho para as mulheres que cresceram juntos com Brooke, já que a vida não termina aos 40, né?










































