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A exceção de Além do Tempo

Não costumo falar sobre novelas. Já fazia uns 10 anos que não acompanhava todos os capítulos de alguma. Sempre dou uma olhadinha em um capítulo ou outro, leio o que está sendo discutido em sites especializados ou nas revistas na manicure. São muitas séries e filmes para ver então achei melhor não entrar numa área que tem tanta gente que entende muito mais que eu. Mas, ontem (15) acabou Além do tempo, que foi uma novela que me deixou realmente interessada e me conquistou com uma bela história, inovadora, ao mesmo tempo que clássica, da autoria de Elisabeth Jhin. Então resolvi abrir uma exceção e escrever sobre a novela.

A primeira parte, que se passava há mais de 100 anos atrás, foi belíssima. Na época, chegou a ter mais audiência do que a novela das 9, comparativamente com o público total atingido pelos horários. Muita gente reclamou quando houve a mudança (feita  de maneira perfeita, aliás) do passado para o presente. Sim, porque após o casal central morrer na última cena da primeira fase, eles logo se reencontraram no metrô dando início a uma nova história.

Não sigo a religião espírita que norteou os caminhos da novela, mas admiro seus belos princípios de reencarnação e a possibilidade de reencontros e “consertos” de erros passados. O início da nova fase foi brilhante, apresentando antigas rivais, que agora se tornavam mãe e filha, casais anteriormente apaixonados que eram inexplicavelmente atraídos um para o outro, com direito a encontros impossíveis proporcionados por anjos. Tudo isso com uma bela fotografia e um primoroso trabalho de direção de Pedro Vasconcelos.

Foi uma pena que no final a coisa desandou um pouco. O chororô de Bento ( Luiz Carlos Vasconcelos ), sua filha chatinha (Kiara Castanho) tomaram muito tempo da história, que também juntou muito cedo o casal principal, Lívia e Felipe. Já que o carnaval está próximo, pode-se dizer que parecia que algumas histórias já estavam no final da avenida, enquanto outras ainda estavam na concentração, e de repente todo mundo teve que sair correndo para não estourar o tempo do desfile. Uma pena!

De qualquer maneira, destacaram-se momentos incríveis, de texto, de formato e principalmente do trabalho dos atores. Como o casal principal, Alinne Moraes e Rafael Cardoso tiveram uma ótima química, que fez o público torcer por eles. Ana Beatriz Nogueira soube dar a Emília a dose certa de mágoa de uma vilã que não era vilã. Desnecessário falar sobre Nívea Maria e, principalmente, Irene Ravache. Que momentos estas duas tiveram! Destacaram-se também Michel Malamed (Ariel), Letícia Persiles (Anita), Luis Melo (Mássimo)e Carolina Kasting (Rosa), que estava simplesmente deslumbrante durante toda a novela . Só que para mim as melhores, aquelas que me faziam ficar prestando grande atenção quando apareciam na tela, foram Julia Lemertz e Paolla Oliveira. Acostumada a ver Julia em papéis de sofredora, foi uma descoberta saber como ela é engraçada, charmosa e forte no papel de Dorotéia. Uma delícia! E principalmente, e para mim surpreendentemente, Paolla Oliveira. Quantas nuances diferentes ela adicionou à personagem Melissa. Da mimada e nervosinha do início que falava todos os esses e erres, até a completamente enlouquecida e ultrajada, que se descabelava e se agarrava literalmente a Felipe para que ele não a deixasse. Eu teria dado a ela todos os prêmios de melhor atriz do ano. Realmente surpreendente.

A partir de segunda-feira, volto ao meu dia a dia sem novelas (a princípio, pelo menos). Mas vou ter saudades destes personagens. O sentimento é igual à quando uma série que você gosta muito termina. Um certo vazio. Quem diria?

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