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A muito longa história de Oppenheimer chega ao cinema

Para quem já trabalhou com marketing como eu, dá gosto de ver uma estratégia conjunta para o lançamento de Barbie e Oppenheimer. A princípio, parecia que seria uma briga, mas aí alguém percebeu que esses dois lançamentos juntos era uma oportunidade de atrair o público de volta aos cinemas – “Qual você vai ver primeiro?”. Isso se tornou especialmente eficaz porque com o calor que esta fazendo no hemisfério norte, entrar numa sala de cinema com ar condicionado também parece ser uma opção bem atraente. Eu já vi os dois filmes. A crítica de Barbie está aqui. E a de Oppenheimer, que também estreia nessa quinta nos cinemas, você pode ler a seguir.

O filme é dirigido por Christopher Nolan. Conta a história do inventor da bomba atômica, J. Robert Oppenheimer. Sua  base é o livro biográfico vencedor do Prêmio Pulitzer, Prometeu Americano: O Triunfo e a Tragédia de J. Robert Oppenheimer, escrito por Kai Bird e Martin J. Sherwin. O filme acompanha a vida do físico teórico da Universidade da Califórnia  que se tornou o diretor do Laboratório de Los Alamos durante o Projeto Manhattan – que tinha a missão de projetar e construir as primeiras bombas atômicas. A trama se passa em diferentes linhas temporais,  acompanhando o início do envolvimento de Oppenheimer com a o projeto. E também o longo do processo de desenvolvimento da arma nuclear que foi responsável pelas tragédias nas cidades de Hiroshima e Nagasaki. Oppenheimer também retrata o que aconteceu após o evento – e como a vida do físico virou de cabeça para baixo.

O que achei?

É óbvio que Christopher Nolan é um grande diretor. Mas, ao contrário de sua obra-prima, Dunkirk (disponível na HBO Max), as linhas temporais de Oppenheimer são confusas – e longas demais. O filme tem 3 horas de duração. E já aviso que a primeira hora é chatíssima, cheia de detalhes técnicos e “um milhão” de personagens que entram e saem de cena. Nas duas horas seguintes, quando Oppenheimer vai para Los Alamos para começar a construir a bomba, faz o grande teste no deserto ( a melhor parte), e a subsequente situação de caos de sua vida e carreira, as coisas fluem de maneira bem mais eficiente.

Um dos maiores trunfos do filme é o uso do som –  por isso é recomendável assistir num bom cinema, de preferência numa sala IMAX. Assim é possível aproveitar a grandiosidade do trabalho que envolve os efeitos e a trilha sonora. Entretanto, o roteiro sofre do problema de envolver personagens demais. Em alguns momentos, você pisca, e um ator famoso já desapareceu da tela. Com isso, você fica sem entender muito bem a razão de vários deles estarem ali.

É o caso de Florence Pugh, que faz a amante de Oppenheimer, mas que tem pouco mais de três cenas  – e que não deixam você entender qual a motivação dela (mas com nudez frequente). Outro caso é de Rami Malek, que aparece numa cena como um assistente, e duas horas depois vai desempenhar um papel importante na redenção de Oppenheimer.  E há outros como Kenneth Branagh, Josh Harnett, Matthew Modine, James Remar, Jack Quaid (que praticamente entra mudo e sai calado).

E no final…

Cillian Murphy faz o papel principal. Recém-saído do sucesso de Peaky Blinders, o ator não tem o carisma, nem o charme para envolver a todos que era uma característica  de Oppenheimer. Para mim, não funciona. Já Emily Blunt e Matt Damon são eficientes como sempre, em dois papéis importantes. Mas quem mais se destaca é Robert Downey Jr.  como Lewis Strauss. Completamente longe de sua persona “Tony Stark”, Robert está sensacional –  poderia até estar entre os finalistas para um prêmio de coadjuvante no início do ano que vem.

No final, Oppenheimer tem bons momentos. Mas, no todo,  tem gente demais, falação demais, e carisma de menos. Pena!

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