Minha mãe era grande fã dos livros sobre Arsene Lupin. Mas eu acabei nunca lendo (em compensação li todos de Agatha Christie). Entretanto, virei fã da série Lupin, da Netflix, desde a primeira temporada. E agora estreou a temporada 4 (que eles chamam de Parte 4) este mês na Netflix. Eu confesso que tinha pensado que nunca mais veríamos mais a série, afinal, o hiato foi de três anos. Mas ela voltou, e Assane Diop (Omar Sy) já começa explicando que ficou esse tempo na prisão. Agora que está saindo, tem mais uma grande aventura – e dessa vez se apoia num caminho diferente, o do melodrama. Tem momentos ótimos, outros nem tanto.

Depois de se entregar voluntariamente para proteger sua família, Assane está prestes a finalizar sua pena e planeja se afastar dos crimes para recomeçar uma vida tranquila ao lado do filho, Raoul. No entanto, seus planos desmoronam quando um misterioso impostor começa a executar ousados roubos a museus, imitando perfeitamente o estilo de Arsène Lupin. Essa pessoa chega a usar registros e evidências que apontam falsamente para a presença de Assane, mesmo ele estando atrás das grades. Com isso, Assane precisa desvendar quem está por trás das armações e lidar com segredos familiares do passado, alianças inesperadas e novos conflitos emocionais.
O que achei?
Omar Sy tem um carisma incrível, e você fica com os olhos grudados nele. Nas temporadas anteriores, Assane Diop, seu personagem, é divertido, interessante, irônico e doce – tudo ao mesmo tempo. Com isso, a gente quer que ele esteja na tela todo o tempo. Não é isso que acontece. A ação agora se divide entre ele, Raoul, a nova personagem Adele, e ainda Claire (a ex-mulher) e o melhor amigo Benjamin. Isso sem contar o policial amigo, Guédira. Por isso, há momentos em que você quer que a atenção se volte para Assane. Os momentos mais chatinhos acabam sendo quando Raoul se torna o protagonista da História.

Há alguns probleminhas. Raoul, o chatinho, é um deles. Também há a mudança em Adele do início para o meio. Ela é implacável no começo, e fofinha do meio para o fim. Para quem está acostumado com o ritmo da série, as mudanças podem ser mais difíceis de aceitar. O melodrama é assumido, com dramas familiares, revelações do passado, e algum chororô.

Mas, é claro que há pontos altos, sem contar lindas imagens de Paris. As sequências dos roubos são sempre ótimas, especialmente aquela onde todos se fantasiam de um general histórico. Há ainda o momento sensacional em que Assane desafia a todos montado num cavalo, e outra com uma referência a Silêncio dos Inocentes. . E claro, há várias surpresas. Mas fique tranquilo, não vou dar spoiler. O que posso dizer é que há um tremendo cliffhanger no final, que deixa claro que haverá uma sequência. E imagino que provavelmente não teremos que esperar três anos novamente para saber o que acontece no momento seguinte ao final.









































