Biografias de grandes astros da música sempre são uma faca de dois gumes. Podem ser sensacionais, como Elvis ou Bohemian Rhaposody, ou péssimas como What’s love got do with it, ou Back to Black. Michael, a esperada cinebiografia de Michael Jackson, que estreia essa seman nos cinemas, é um meio termo. É obviamente um filme “chapa branca” que deixa de lado todas as controvérsias sobre Michael. Afinal, tem membros da família envolvidos na história. Mas também tem uma produção incrível dos momentos musicais marcantes do rei do pop. Vai com certeza agradar os fãs, mas não quem busca algo revelador sobre Michael .

Michael retrata a vida e o legado do cantor desde a descoberta de seu espetacular talento como líder do Jackson Five até o impacto cultural de sua visão artística ímpar. Também aborda o impacto que seu pai (Colman Domingo) teve em sua vida e sua carreira. Ele mostra ainda as ambições criativas de um homem que buscou ativamente se tornar um dos maiores artistas do mundo. Performances icônicas de sua carreira compõem esse retrato do artista.
O que achei?
É claro que é impossível não amar as recriações de momentos musicais inesquecíveis, tanto do Jackson 5 quanto os de Michael em carreira solo. Tudo super bem produzido e emocionante . Já a história é fraquinha. Apresenta um grande vilão – o pai, Joe Jackson . A gente já sabia dos históricos de bullying e violência com relação ao filhos. Joe era um centralizador, que gostava de estar no controle de tudo. Mas ao mesmo tempo tinha visão do sucesso que tinha nas mãos. E Colman Domingo, mesmo com a maquiagem pesada que o deixa praticamente irreconhecível, agarra com unhas e dentes o personagem. É um ator incrível.

Também é preciso destacar o trabalho dos dois atores que fazem o papel de Michael no filme . Eu amei o garotinho Juliano Valdi que faz Michael criança. Simplesmente sensacional. E também deve se reconhecer a boa atuação de Jaafar Jackson , sobrinho de Michael ( filho de Jermaine Jackson) , que faz sua estreia como ator no filme. Ele consegue captar a doçura na maneira de falar que a gente sempre viu em entrevistas, e ainda a energia de movimentos no palco. Palmas pra ele. O filme ainda tem participações especiais praticamente irreconhecíveis de Mike Myers , como o presidente da gravadora (a cena é ótima), e Miles Teller como o empresário de Michael ( a peruca é muito feia, rsrs).

Mais sobre a história
Além dos problemas de relacionamento com pai, o filme dá uma leve pincelada no que viria a ser a dependência de Michael de analgésicos. Tudo teria começado no acidente conhecido que aconteceu durante a gravação do famoso comercial da Pepsi. Há menções sobre o desejo de fazer Neverland, sobre o amor pelos animais , e até a chegada do chimpanzé Bubbles.

Mas é preciso dizer que não há nenhuma menção às crianças que ele levava para Neverland, aos filhos, aos casamentos, e nem à irmã Janet Jackson. No filme, parece que ela nunca existiu. Talvez isso seja algo para um segundo momento. Afinal o filme termina com “e a história continua” o que pode (ou não) significar uma possível sequência. Mas creio que isso vai depender muito de quanto os fãs de Michael vão correr para ver o filme no cinema.










































