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O adeus à maior de todas, Bibi Ferreira!

O mundo hoje perdeu uma de suas estrelas mais brilhantes: Bibi Ferreira, aos 96 anos. Já vi muita gente nos palcos, mas nunca uma presença mais magnética e perfeita em cena do que Bibi. Todas as vezes que tive a oportunidade de assisti-la no teatro, foi um deslumbre. Na última, com Bibi canta o repertório de Sinatra, em 2015, ela já estava com mais de 90 anos. Tinha que se apoiar em alguns momentos em uma cadeira. Mas, sempre em cima de um enorme salto, com um vestido cheio de brilhos, e aquela voz… aquela voz inigualável. Aqui ela canta uma de minhas músicas favoritas da vida, My way.

Desde menina, sempre ouvi falar de Bibi com admiração. Meu avô era seu fã, assim como do pai dela, o grande ator Procópio Ferreira. Sempre me falou da vez que chegou a vê-los juntos numa peça, cujo nome sinceramente não me lembro. Só me lembro de assistir fascinada apresentações esporádicas suas na TV, onde cantava clássicos dos musicais de Hollywood, como My Fair Lady, Hello Dolly e O Homem de La Mancha.

Sempre uma estrela

Bibi sempre esteve à frente de seu tempo. Filha de artistas, estreou nos palcos com 24 dias de vida, substituindo uma boneca que havia desaparecido, na peça Manhãs de Sol. Viveu muito tempo na Espanha acompanhando a mãe,  a bailarina argentina Aída Izquierdo, depois que ela e Procópio se separaram. De volta ao Brasil, entrou para o corpo de baile do teatro Municipal do Rio de Janeiro (sim, ela também dançava). Posteriormente fez sua estreia como atriz aos 19 anos, em La Locandiera. Apenas quatro anos depois, montou sua própria companhia teatral, reunindo alguns dos nomes mais importantes do teatro brasileiro. Entre eles, Cacilda Becker, Maria Della Costa e a diretora Henriette Morineau.

Uma história de Hollywood

É dessa época que vem uma história deliciosa contada pela minha querida amiga, a jornalista Dulce Damasceno de Brito, já falecida. Quando Dulce foi trabalhar em Hollywood como correspondente dos Diários Associados nos anos 50, ela foi conhecer Carmen Miranda, levando uma carta de  apresentação de Bibi. Carmen, ao recebê-la em sua casa (os tempos eram bem diferentes), disse que nem precisava da carta de Bibi, que a conhecia da revista Cena Muda. As duas ficaram amigas até a morte de Carmen. Essa história também está no livro Lembranças de Hollywood, que teve a organização de Alfredo Sternheim, e foi lançado pela Coleção Aplauso, da Imprensa Oficial.

Amiga dos amigos, Bibi participou, atuando ou dirigindo, de peças que dariam um grande impulso a jovens talentos brasileiros num período difícil de nossa história. Foi o caso de Brasileiro: Profissão Esperança, de Paulo Porto, Gota D’Água, de Chico Buarque, e Deus lhe Pague, de Joracy Camargo.

Piaf

Nos anos 80, teve um dos maiores triunfos de sua carreira,  Piaf, a Vida de uma Estrela da Canção, onde cantava de maneira excepcional as músicas da cantora francesa. Foi premiada e o musical se tornou um enorme sucesso durante mais de seis anos.

E mais…

Tive a oportunidade de vê-la também no show comemorativo dos 50 anos de sua carreira, Bibi in Concert, onde cantava músicas marcantes de seu repertório em diversas línguas. Mas, o que eu amava era ouvi-la em português mesmo. Nunca conheci alguém que tivesse a dicção tão perfeita, que demonstrava um incrível respeito pela língua. Coisa cada vez mais difícil de encontrar por aí.

Consegui vê-la também na comédia, com seu retorno ao gênero em 2007: Às Favas com os Escrúpulos, tinha texto texto de Juca de Oliveira e direção de Jô Soares. A vitalidade era sua marca. Em 2003, Bibi foi homenageada pela Escola de Samba Viradouro. Ao ser anunciada como tema, aos 80 anos, Bibi Ferreira disse na época considerar essa a homenagem que lhe faltava. ‘“A princípio, me deu uma coisa! Depois fiquei muito emocionada e feliz, muito feliz. Vou chamar todos os atores que trabalharam comigo para participar do desfile; essa notícia me deixou muito comovida”

Na ocasião em que fui ver Bibi canta Sinatra, postei uma foto  com a legenda que dizia: “pronta para ver a maior de todas”. Uma pena que isso não será mais possível. O mundo ficou muito mais triste sem Bibi Ferreira! Como disse Liza Minelli, que assistia o show de Bibi no Lincoln Center, “eu nunca vi ninguém cantar como você”!

Fotos de divulgação

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