Não sou grande fã de séries de comédia. Atualmente só acompanho mesmo Only Murders in the Building. Mas, meu amigo José Augusto Paulo adora, e assiste muitas. Agora ela viu Erros Épicos, que está disponível na Netflix, e gostou bastante. Ela é estrelada por Dan Levy, e já foi renovada para uma segunda temporada. Veja a crítica dele aqui:
Erros Épicos
A minha percepção sobre o trabalho de Dan (ou Daniel) Levy se tornou mais positiva nos últimos anos. Inicialmente ele me parecia arrogante, negativo, tenso e até agressivo. Mas algo mudou e isso ficou claro em Do Outro Lado da Dor, quando ele parecia se livrar de máscaras enquanto o filme evoluía. Dai revisitei Schitt’s Creek, que se tornou a minha série necessária para uma risada diária. Ganhou valor de dose diária pela sua criatividade, o excelente elenco, e talvez por ser criada pelos Levy, pai e filho. E isso me levou a aguardar o lançamento de Erros Épicos com certa ansiedade. Valeu a espera?

A história de Erros Épicos
Na série, Morgan (Taylor Ortega – só a forma como ela encara a câmera já quer nos fazer rir) e Nicky (Dan Levy) são irmãos que, por um acidente do acaso, ou por serem incapazes de fazer muita coisa certa, passam a ser chantageados para trabalharem para o crime organizado. Mas dizê-lo assim pareceria mais algo de um drama sério. Na verdade, os dois são muito, como direi, tontos, incompetentes, sem noção, e teriam uma tendência natural para se meterem em encrenca. Mas tem mais nessa história. Nicky é um pastor, que leva muito a sério o trabalho na sua congregação. Já Morgan é uma professora de escola primária. E se não bastasse, Nicky tenta esconder o seu relacionamento com Tareq (Jacob Gutierrez), que conheceu quando ele veio consertar o telhado de Linda (a excelente Laurie Metcalf), mãe de Nicky e Morgan.

Enquanto isso, Morgan não sabe bem o que quer do seu relacionamento com Max (Jack Innanen, de quem se fala muito no momento, mas ainda não estou certo por qual razão). Complicou um pouco? Pois é, poderia ser mais simples, mas lembrem-se da incompetência que mencionei acima. Ah, e Linda, que é dona de uma loja de ferragens, quer se candidatar a prefeita. Para isso tem a ajuda de uma outra filha (Abby Quinn), que se crê intelectualmente superior aos outros filhos.
A crítica
Em geral eu tenho paciência quase que zero com personagens incompetentes. Especialmente com aqueles que, como público, percebemos quão fácil seria sair de certas situações. E ainda assim eles só a pioram. Com o tempo isso me irrita. Mas eis a mágica inexplicável de Erros Épicos. No caso dessa série não só eu aguentei bem a burrice dos dois, como também me fazia rir. Geralmente mais para o final de cada episódio pois eles são estruturados de uma forma na qual a primeira parte é mais séria. O roteiro é escrito por Dan Levy e Rachel Sennott (e segundo soube, o primeiro episódio foi escrito em uma só noite pelos dois). O texto tem alguns diálogos geniais, personagens bem estruturados, interpretados ao ponto, produção simples e, surpresa, tem seus momentos mais violentos, como que para que não nos esqueçamos de que o crime organizado é parte da trama.

Como a cada episódio os dois se envolvem cada vez mais com os criminosos, ficamos a espera de saber como conseguirão se livrar deles para voltarem às suas vidas normais. Esse interesse me fez refletir que gostei de Erros Épicos, apesar de ser bem inferior em humor e criatividade a Schitt’s Creek. Não vai alcançar o mesmo nível de popularidade, nem causar debate, ou ter um grupo extenso e fiel de fãs, mas Erros Épicos tem seu valor. Assista e comprove.









































