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Cinema

Tem início a maratona da Mostra de cinema de São Paulo

Normalmente, consigo ver poucos filmes da Mostra de Cinema de São Paulo. São muitas produções, que são exibidas paralelamente  aos filmes do circuito comercial. Isso sem contar ainda streaming, TV, plataformas em geral. Rsrs! Acabo não conseguindo acompanhar. Só que esse ano, o 44º da sua história, a Mostra será majoritariamente online. Isso desde a compra dos tickets até as sessões de cinema. Algumas  outras acontecerão presencialmente. Serão feitas no drive-in do Belas Artes, no Memorial da América Latina, e no Sesc Dom Pedro II. A Mostra começa hoje (22) e vai até 4 de novembro. Serão 198 filmes  disponibilizados virtualmente pela plataforma  Mostra Play ( https://mostraplay.mostra.org/). O período de vendas também já começou. Os ingressos custam R$ 6 por exibição

Entre os destaques dessa edição estão produções como Nova Ordem, de Michel Franco, premiado em Veneza, e que abre a  Mostra. Há ainda Vivos, de Ai Weiwei; e Miss Marx, de Susanna Nicchiarelli. Este último também foi premiado em Veneza e exibido no Festival de San Sebastián. O interessante é que agora pessoas de todo o país poderão ter acesso aos filmes. Afinal, eles serão exibidos virtualmente. Eu já comecei com Prazer, Camaradas. Assisto poucos documentários – por absoluta falta de tempo. Mas este era uma produção portuguesa. E já que elas são tão difíceis de chegar por aqui,  resolvi arriscar. Não me arrependi.

Prazer, Camaradas

Em 1975,  a Revolução dos Cravos terminou em Portugal. Para quem não sabe, foi o movimento que derrubou o regime salazarista do país. Ele estabeleceu liberdades democráticas, promovendo grandes transformações sociais. Com isso, muitos estrangeiros e portugueses do norte foram para a região central. A ideia era ajudar nas recém-formadas cooperativas. Só que suas visões progressistas sobre os costumes e a sexualidade se chocaram com os locais. O filme nasceu de um conjunto de relatos orais, textos literários e diários sobre essa experiência. Entre os portugueses das aldeias e os estrangeiros, chamados de turistas revolucionários, criaram-se tensões. Mas também cumplicidade e, em alguns casos, amor.

A crítica

Logo no início, já você se choca com uma perspectiva bem diferente. Alguns desses imigrantes estão a caminho da cooperativa e se apresentam. Eles dizem para a câmera que tem vinte e poucos anos. Só que os atores são velhos. Confesso que fiquei em dúvida se  eram pessoas que viveram realmente ali naquele período de 1975. Ou somente atores recriando tudo isso. De qualquer maneira, o resultado é divertido e incomum.

A cooperativa onde tudo acontece está localizada em Aveiras de Cima, perto de Lisboa. É uma região muito bonita do país. Uma vez lá, esses protagonistas começam a trabalhar – efetivamente. Fiquei realmente cansada só de ver as mulheres lavando as roupas. Rsrs! É nesses momentos que o filme fica mais divertido e interessante. As conversas entre essas mulheres falam de experiências do passado. A primeira vez, a moral da época. E, é claro, a relação de subserviência com os maridos. Há momentos ótimos. Alguns dos mais divertidos são as reuniões com os homens de um lado e as mulheres de outro. O motivo é a discussão para declarar que eles também tem que trabalhar na casa. Ri bastante.

Atores ou não, esses protagonistas são tão simpáticos! Você acaba querendo ouvir mais sobre eles. E, é claro, conhecer muito mais sobre o país. Um Portugal de outros tempos, ainda muito preso  aos costumes antigos. Prazer, Camaradas foi uma grata e divertida surpresa. O filme já passou anteriormente pelos festivais de Londres e Locarno.

 

 

 

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