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Adeus, Christopher Lee!

A carreira de Christopher Lee foi impressionante. Em mais de 230 filmes,  esteve presente em praticamente todas as grandes franquias do cinema. E cada geração vai poder se lembrar dele em um papel marcante.  Hoje foi anunciada a sua morte, poucos dias depois de seu aniversário de 93 anos, completados no último dia 27 de maio. E, é claro, como sempre trabalhou, não foi diferente em seus últimos dias. Infelizmente não conseguiu filmar The 11th, atualmente em pré-produção, ao lado de Uma Thurman.

Sua própria vida daria um filme, mais provável uma minissérie (rs). Ele vinha de uma família rica, sua mãe era uma condessa. Já adulto chegou a lutar na II Guerra Mundial, antes de começar a fazer pequenos papéis no cinema. Em 1948, chegou mesmo a participar do vencedor do Oscar de melhor filme, Hamlet, de Laurence Olivier. Só que ele tinha um problema para conseguir bons papéis em geral. Era muito mais alto que todos os outros atores (tinha 1.96) e também tinha um tipo muito exótico e moreno para fazer um mocinho inglês. Essa diferença acabou sendo positiva para que ele achasse o seu caminho no cinema.

Após fazer o monstro em A Maldição de Frankenstein (1957) para o estúdio inglês Hammer, ele acabou conseguindo uma exposição que o levou a um de seus papéis mais icônicos, o Conde Drácula em O Vampiro da Noite (1958). Este foi o primeiro de dez filmes em que fez o papel sendo o último de 1976, Drácula, Pai e Filho. Não houve na história outro ator que marcasse tanto um personagem como ele. Para mim, que assisti vários desses filmes na TV quando era criança, ele era a imagem do terror, ninguém era tão assustador!

Mas ele fez outros papéis clássicos e marcantes do gênero terror neste período: A Múmia e O Cão dos Baskerville (ambos de 1959), O Túmulo do Horror (1964), As Profecias do Dr. Terror (1965), As Bodas de Satã (1968) e vários outros. Foi nessa época que também fez cinco filmes como o vilão Fu Manchu.

Os ícones do cinema de terror da época, que eram muito amigos na vida real: Christopher Lee, Vincent Price e Peter Cushing

Foi marcante como o vilão Rochefort em Os Três Mosqueteiros (1973), em sua sequência A Vingança de Milady (1974), além de seu terceiro filme em 1989, A Volta dos Mosqueteiros. Mas teve sua grande oportunidade de renovar seu tipo e carreira como outro vilão, desta vez numa aventura de James Bond,  o Scaramanga de O Homem da Pistola de Ouro (1974). Com o objetivo de trabalhar ao lado de Jack Lemmon, ele entrou em outro filme de franquia de sucesso, Aeroporto 77.

Foi dirigido por Steven Spielberg numa comédia que eu adoro chamada 1941 – Uma Guerra Muito Louca (1979). E fez muita televisão. Esteve em um episódio clássico de As Panteras, Angel in Hiding (1980), personificou o Príncipe Philip no telefilme Charles & Diana: A Royal Love Story (1982), além da bela minissérie India: Mistério, Amor e Guerra (1984)

Outras franquias? Gremlins, em Gremlins 2: A Nova Geração(1990), Indiana Jones na série O Jovem Indiana Jones (1992), Loucademia de Polícia em Loucademia de Polícia: Missão Moscou (1994) e a série As Novas Aventuras de Robin Hood (1997).

A partir de 1999, quando Tim Burton o dirigiu em A Lenda do Cavaleiro sem Cabeça (meu filme favorito do diretor), ele atingiu uma nova audiência, que só aumentou depois que Peter Jackson o chamou para mais um vilão, Saruman, na trilogia O Senhor dos Anéis. E também quando George Lucas o colocou em  Star Wars: Episódio 2 – O Ataque dos Clones (2002) e em A Vingança dos Sith (2005) como o terrível Conde Dooku (adoro a luta dele com Yoda). Quando filmou a cena abaixo, ele tinha 79 anos.

Ele ainda filmou mais com Tim  Burton. Fez o pai de Willy Wonka em A Fantástica Fábrica de Chocolate  e a voz do Pastor em A Noiva Cadáver, ambos de 2005. Foi ainda a voz de Jaguadarte em Alice no País das Maravilhas (2010).

A terceira parte da trilogia do Hobbit , O Hobbit: A Batalha dos Cinco Exércitos (2014), foi o último filme do ator exibido por aqui. Com a saúde inspirando cuidados, filmou todas as suas cenas em Londres e não na Nova Zelândia. E como sempre foi um triunfo!

Sir Christopher Lee, que se tornou cavaleiro da rainha em 2009, esteve em filmes que foram enorme sucesso. Em 2006, ou seja antes da trilogia do Hobbit (que aumentou bastante esse valor), ele era o ator que havia feito mais dinheiro com seus filmes com um total de 4.4 bilhões de dólares (isso sem contar também os filmes do início de sua carreira nos anos 40). Mas ele não se deixava impressionar.

“Atuar é como uma tempestade de neve ou talvez um grande vácuo vazio. Eu não me iludo com o fato que estou conseguindo todas essas ofertas para trabalhar. Eu estou muito feliz com isso, mas também sei que há o outro lado, e quem sabe no ano que vem, eles podem não me oferecer coisa alguma. Você nunca sabe…”

Vamos sentir sua falta!

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