John Malkovich é um ator muito respeitado, mas nunca ganhou um Oscar. Foi indicado duas vezes como coadjuvante, por Um Lugar no Coração e Na Linha de Fogo. Mas com Cavalo Selvagem 9, que estreou hoje nos cinemas, ele está sendo considerado o favorito para o prêmio de melhor ator na Temporada de Premiações. Ele está realmente ótimo, assim como Sam Rockwell , que é o co-astro. Não seria minha escolha numa corrida de melhor (por incrível que pareça, ainda fico por enquanto com Tom Cruise por Digger). Mas se ganhar, será uma boa homenagem a uma grande carreira.

Pouco antes do golpe de Estado no Chile em 1973, dois agentes da CIA — o veterano Chris (John Malkovich) e seu parceiro Lee (Sam Rockwell) — saem de Santiago para a Ilha de Páscoa (Rapa Nui). Na verdade, o passeio esconde motivações pessoais e perigosas. Chris quer escrever suas memórias e o chefe de ambos, MJ (Steve Buscemi) quer que Lee saiba especialmente o que ele pretende contar. A situação complica-se quando Chris se envolve com estudantes locais, e as tensões do iminente golpe militar se confundem com os dramas da dupla em meio às estátuas (moais) da ilha.
O que achei?
O filme tem momentos de comédia irônica, especialmente com as reações de Sam Rockwell . Mas também tem uma tristeza presente todo o tempo. Não só pela situação política, que a gente sabe exatamente o que irá acontecer no país com a queda de Allende. Mas também pela tristeza que paira sobre Chris ao olhar para trás e ver o que fez com sua vida no passado e no presente. Chris é um assassino, mas Malkovich nos apresenta uma figura cheia de arrependimentos com seus seus segredos. Há uma cena especialmente boa quando Chris está num bar com a estudante, e diz a ela exatamente o que acontecerá depois do golpe. Roteiro sensacional.

Confesso que não gosto do filme anterior do diretor Martin McDonagh, Os Banshees de Inisherim, que também fala sobre a relação de dois homens num ambiente longe de tudo. Aqui tudo é mais eficiente, desde o ritmo da história, e o roteiro propriamente dito. Não só falam abertamente do envolvimento da CIA na política latino-americana, mas também providenciam dois excelentes personagens para Sam Rockwell e John Malkovich. O filme inclusive foi aplaudido de pé por 13 minutos em sua estreia no Festival de Veneza. Merecido.









































