Confesso que num primeiro momento, Feito Pipa não seria um filme que eu sairia de casa para assistir no cinema. Mas, como representante do Brasil no Oscar, eu tinha que ir à sessão para a imprensa. E que grata surpresa. O filme é bonito de ver, emociona e tem grandes atuações. Não sei se tem grandes chances de ficar entre os finalistas na categoria de filme estrangeiro (provavelmente não), mas vale a pena ver. Estreia essa semana nos cinemas.

O filme acompanha a relação de um menino queer de 11 anos chamado Gugu e sua avó Dilma que lentamente sente o avanço do Alzheimer . Destemido, Gugu vive nas proximidades de uma barragem com Dilma. A condição de sua avó se agrava e Gugu, com medo de ter que morar com seu pai que não gosta do seu jeito, tenta esconder de todos o que está acontecendo. Entre as memórias e o esquecimento, o futuro incerto tanto de Gugu quanto de Dilma paira entre os dois.
O que achei?
Feito Pipa aborda vários pontos interessantes. A relação entre o neto e a avó é de cumplicidade total e emocionante. Por isso, é ainda mais tocante ver as reações de ambos quando o Alzheimer começa a tomar conta dela. É especialmente emocionante ver como o diretor Alan Deberton (de Pacarrete) faz com que a percepção da doença chegando seja feita de forma delicada, mas não menos dolorida. Além disso, ele também acerta em mostrar que o pai, apesar da dificuldade de aceitar a maneira de ser do filho, não é mostrado como um vilão. E sim alguém que ama, mas é um reflexo da sociedade onde vive.

Já Gugu é também não é uma criança docinha. É bonzinho, ama a avó incondicionalmente, mas também pode ser grosso e difícil de compreender. Ou seja, os personagens pessoas comuns, com suas virtudes e defeitos, que vivem uma história que poderia ser a de qualquer um de nós. Talvez por isso seja tão tocante. Além disso, a fotografia colorida, a direção de arte, e a trilha sonora são uma atração à parte. Aliás, que delícia o início com a música de Lady Zu, A Noite vai Chegar (nem me lembrava mais dela). E também fica aqui a menção honrosa para como Time after Time, de Cindy Lauper, é usada na história.

Além disso, o filme tem um apelo especial para mim porque foi a primeira vez que vi um personagem chamado Eliane nas telas (Eliane é a mãe de Gugu), rsrs. Brincadeiras à parte, pode ser que até a gente não tenha uma indicação ao Oscar com Feito Pipa, mas o filme vale a pena ser visto.









































