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Cinema

Jornada dupla com os dois filmes finais de Chadwick Boseman

A morte de Chadwick Boseman chocou todo mundo esse ano. Especialmente porque ninguém tinha ideia que ele estava doente – de câncer. Ele deixou dois filmes prontos, um deles lançado após a sua morte pela Netflix. São eles Destacamento Blood e A Voz Suprema do Blues, que chegou essa semana no serviço. São duas atuações poderosas, que vem sendo premiadas pela crítica. Por exemplo, os Críticos de Nova York o escolheram como coadjuvante por Destacamento Blood. Eu vi os dois filmes numa maratona Chadwick Boseman, e as críticas estão abaixo:

Destacamento Blood

O filme foi lançado em junho, pouco antes da morte de Chadwick em agosto. Dirigido por Spike Lee, tem várias referências, inclusive Apocalypse Now e O Tesouro de Sierra Madre. Um grupo de ex-soldados do Vietnã, que se autodenominam os Bloods, retornam para o país com o anunciado objetivo de recuperar os restos mortais de seu comandante, que  morreu no local.  Mas, na verdade, o objetivo é outro. Eles querem recuperar um recipiente com barras de ouro, que se perdeu na época da guerra. Logo se junta ao grupo o filho de um deles, feito por Jonathan Majors, de Lovecraft Country.

A crítica

O filme alterna cenas de passado e presente. Chadwick Boseman, que faz o comandante, tem poucas cenas, mas tem uma presença forte, como em tudo que faz. Mas o grande destaque é Delroy Lindo, que tem uma das melhores atuações do ano. Há um momento em que ele fala para a câmera que é excepcional. Deve ficar entre os finalistas do Oscar.

O filme é forte, fala com eloquência sobre racismo. E ainda sobre como filmes de Stallone e Chuck Norris deturparam a história da guerra . E, é claro, sobre #VidasNegrasImportam. Tem belas e potentes cenas. Mas, com suas 2h34 se torna um tanto cansativo. Há momentos de uma certa “barriga” na narrativa. Entretanto, como em todos os filmes dirigidos por Spike Lee, há uma mensagem contundente que prega a igualdade, e revela preconceitos.

A Voz Suprema do Blues

A Voz Suprema do Blues foi o último filme do ator. Ele inclusive estava fazendo o tratamento de câncer de cólon enquanto filmava, sem que nenhum de seus companheiros de elenco soubesse. O filme é dedicado a ele. Chadwick tem aqui talvez a melhor atuação de sua carreira. Difícil saber se ele imaginava que esse seria seu último papel. Mas sua performance é impressionante, especialmente num determinado monólogo  quando ele questiona Deus. É impossível não se emocionar, e não se perguntar o quanto Levee e Chadwick se fundem naquele momento.

Chadwick faz o papel do músico Levee, que faz parte do grupo que acompanha a rainha do Blues, Ma Rainey (Viola Davis). Toda a história se passa num dia, num estúdio, quando Ma vai gravar seu disco.  Essa sessão acaba mergulhada em tensão que inclui o ambicioso Levee (Chadwick Boseman), a gerência branca que está determinada a controlar a situação. E, é claro, a incontrolável mãe do Blues, Ma. Só que coisas que acontecem no local revelarão verdades que irão abalar a vida de todos.

A crítica

Assim como Fences – Um Limite entre Nós, A Voz Suprema do Blues se baseia em uma peça de August Wilson. Além de serem estrelados por Viola Davis, os dois são produzidos por Denzel Washington. É bom deixar claro que se trata de um teatro filmado. Ou seja, espaços reduzidos, e grandes diálogos. Eles tem profundidade, e novamente falam sobre racismo, sobre histórias tristes de infância, e também sobre a revolta. Dá grandes chances para seus atores. Todos estão ótimos. Mas também é impossível não destacar, além de Chadwick, o trabalho de Colman Domingo, sempre competente. E, é claro, Viola Davis. Ela se despe de qualquer vaidade, glamour, e tem uma atuação fenomenal, inesquecível. Tudo isso torna A Voz Suprema do Blues um programa obrigatório para quem gosta de cinema.

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