Sou grande admiradora de Aaron Sorkin. Claro, como roteirista (seus textos são sempre incríveis) – Uma Questão de Honra, e vencedor do Oscar por A Rede Social. Mas também como criador de séries (The West Wing e The Newsroom), ou ainda como diretor (amo Being the Ricardos, e Os 7 de Chicago). E agora ele volta aos cinemas com a continuação de A Rede Social, com O Outro Lado das Redes. Aaron dirige e também é responsável pelo roteiro. Nesse mundo em que vivemos , é obrigatório.

O filme segue a história real da engenheira Frances Haugen (Mikey Madison). Ela trabalha no Facebook e tem acesso a informações privilegiadas sobre o funcionamento da empresa. Ao descobrir pesquisas internas que provam os impactos negativos da plataforma sobre seus usuários, ela decide expor o que está acontecendo e concorda em conversar com o jornalista Jeff Horwitz (Jeremy Allen White, de O Urso). Frances compartilha tudo que sabe com Jeff e mostra as práticas que contradizem o discurso público da companhia. Conforme as denúncias ganham repercussão, ela passa a enfrentar consequências das suas ações que colocam em risco sua carreira e a própria segurança.
O que achei?
O filme já começa com uma sequência sensacional com uma jovem visivelmente embriagada destratando dois policiais. Isso é que vai chamar a atenção de Frances. Frances é claramente uma jovem que acreditava na premissa do Facebook de ser uma comunidade mundial de reunir pessoas. Quando começa a analisar uma coisinha chamada algoritmo, percebe que o caminho se desviou totalmente. Nesse momento em que vemos muita gente discutir , especialmente aqui no Brasil, o papel do Facebook (hoje Meta), o filme é especialmente relevante.

Com isso, Sorkin mostra não só a relação de Frances com o jornalista Horwitz, como também a situação de Mark Zuckerberg, que está prestes a se apresentar diante de uma comissão do senado americano. O filme mostra situações reais que conhecemos como o ataque ao Capitólio em 2021, e como isso afetou a todos. Na verdade, O Outro Lado das Redes vai pelo mesmo caminho de filmes clássicos como Todos os Homens do Presidente ou The Post: A Guerra Secreta. Mostra como o jornalismo clássico era sensacional , e um grande repórter sabia correr atrás da verdade, independente dos poderes.

E no final…
Confesso que não sou grande fã de nenhum dos três protagonistas: Jeremy Strong (Succession), Mikey Madison (Anora) e Jeremy Allen White (O Urso). Mas reconheço que os três estão muito bem no filme. O desafio de Jeremy Strong era ainda maior. Em A Rede Social (disponível na HBO MAX), Jesse Eisenberg foi indicado ao Oscar por seu papel como um jovem Zuckerberg. Mas diz a lenda que ele não quis retornar por não admirar mais o homem Zuckerberg. Com isso, Strong entrou na história em uma atuação quase robótica que lembra muito o Zuckerberg que vemos hoje em entrevistas.

Mas, claro, o que se sobressai é o texto de Aaron Sorkin, sempre sensacional, inteligente, e claro, irônico. A forma como ele termina o filme mais uma vez nos mostra que para os grandes poderosos pode-se perder uma batalha, mas nunca a guerra. O filme é imperdível – obrigatório para entender o mundo em que vivemos.









































