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Cinema

A força da história de Todos nós desconhecidos

Quando foi lançado nos cinemas americanos, muita gente falava que Todos Nós Desconhecidos poderia estar bem presente na Temporada de Premiações. Não foi o caso. De qualquer maneira, justamente na semana do Oscar, ele estreia nos cinemas aqui no Brasil. Meu amigo José Augusto Paulo já viu o filme, que estreou antes na Europa. E já colocou na lista dele de melhores do ano. Veja a crítica aqui:

Todos Nós Desconhecidos – Crítica 

Ainda estamos no início do ano, mas Todos Nós Desconhecidos já é um dos meus filmes favoritos de 2024 (foi lançado em dezembro 2023 por aqui). Não por ser um filme jovial, ou que distrai do nosso dia-a-dia com fantasias de dias melhores, grandes doses de humor ou imagens que nos encantam. Não este filme!

Ele vai fundo, remexe nossas emoções, e quase no final nos dá aquela ducha de água fria, o também chamado “soco no estômago”. E mesmo assim não recomendaria evitá-lo. Ao contrário, assista-o mais de uma vez. Sim, isso mesmo, pois, como certos filmes que assistimos, está cheio de dicas do que irá ocorrer. Aqueles detalhes que parecem supérfluos, e que, quando o filme termina, queremos voltar atrás e ter certeza de que o entendemos plenamente. Mas não precisa se preocupar, o Youtube já tem muitos vídeos explicando o final e analisando o filme. Não que sejam necessários, mas mostram a força que a história teve e tem nos que assistem ao filme.

Também ajudou muito a entender pelo fato que eu conheço a área onde as filmagens ocorreram, entre o campo de golfe de Purley Downs e Sanderstead Pond. Um pedaço de subúrbio como muitos no Reino Unido, mas também o lugar da casa onde o diretor do filme cresceu. Fiquei a imaginar Andrew Haigh (conhecido pela série e filme Looking) novamente na casa e desta vez para contar uma história próxima da sua. Somente este detalhe já dá ao filme um outro valor.

A história

O roteiro (baseado no livro Estranhos, de Taichi Yamada) se centra em Adam (Andrew Scott, de Fleabag), um solitário escritor de roteiros que decide escrever sobre seus pais, falecidos há mais de 30 anos, quando ele ainda era criança. Como parte do projeto, decide visitar a área aonde viviam e lá vê um homem no parque que lhe parece familiar. Ao segui-lo, se dá conta de que é seu pai (Jamie Bell), exatamente como ele era na época do acidente que o vitimou. Este o convida a ir para sua casa. Lá Adam encontra a mãe (Claire Foy) no que seria o primeiro de alguns encontros que ele volta a ter.

Andrew mora em um edifício novo, alto, com uma bela vista de Londres desde o Norte, e que parece só ter um outro morador, Harry (Paul Mescal, de Aftersun). Este um dia bate à sua porta, com uma garrafa de whisky japonês. Sentimos no ato que Harry está em busca de companhia, que se sente sozinho e incomodado com o silêncio do prédio quase vazio, etc. Uma das cenas mais importantes do filme. Acho que isto é tudo que eu posso revelar do filme sem o perigo de spoilers. 

Analisando o filme…

Não há como negar: é um filme sobre solidão. É também sobre lidar com perdas, sobre a dor que guardamos quando não pudemos dizer certas coisas a alguém. É um filme sobre relacionamentos com os pais, o que falamos e o que evitamos dizer a eles. Também é sobre a ‘crueldade acidental das famílias’ como é dito em certo momento. Há situações que nos fazem rir ou ao menos sorrir. E há muito dos anos 80 nos encontros de Adam com os pais, para os mais nostálgicos.

Há ainda uma cena na banheira que vem sendo muito comentada, quase tanto quanto a cena de Saltburn, mas com um viés diferente. De qualquer forma, a atuação dos quatro personagens principais é excelente, cativante, marcante. O filme é em boa parte escuro. Tem closes que parecem querer dar detalhes microscópicos das faces dos atores, mas funciona bem assim. E é também como que uma epifania, um processo de liberação para Adam. Apesar de tudo, me fez sentir no final que agora Adam pode amar de novo.

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