Já faz algum tempo que tenho deixado de lado filme sobre crimes reais. Não assisti Tremembé, e nem Monstro: A História de Ed Gein. Ando preferindo coisas mais leves, ou de pura fantasia (zumbis são aceitáveis, rsrs). Mas já tinha ouvido coisas boas sobre Elize: Sombras de uma Mulher, que vem fazendo grande sucesso na Netflix. Então quando meu amigo e colaborador José Augusto Paulo falou que tinha visto o filme, pedi que ele escrevesse sobre o assunto. Veja abaixo o que ele achou.

Elize: Sombras de uma Mulher
Uma das vantagens de filmes baseados na vida real é de que por vezes podemos conhecer mais sobre um fato. Ou ainda nos darmos conta de outras perspectivas sobre o mesmo evento. Ainda há a possibilidade de simplesmente admirarmos, ou condenarmos, pessoas que se tornaram notáveis. Por vezes, podemos até acabar ouvindo a história completa, dependendo do roteirista e diretor, pela primeira vez. Esta última foi o que me aconteceu ao assistir Elize: Sombras de uma Mulher, na Netflix.

Foram pessoas conhecidas que assistiram ao filme e me recomendaram. Mas acharam que a ação se passava em Brasília, portanto fiquei curioso pois não sabia de nenhum crime assim por lá. E também não sabia o nome da autora do crime envolvendo Marcos Matsunaga. Portanto foi interessante assistir para aprender mais a respeito.
A história, acredito, deve ser bem conhecida da maioria. Mas para os que, como eu, desconheciam maiores detalhes, conta como Elize (Lorena Comparato), uma garota de uma pequena cidade do Oeste do Paraná, que trabalha como dançarina e prostituta em São Paulo, conhece Marcos Matsunaga (Henrique Kimura), um dos filhos de uma família que tem uma empresa de produtos alimentícios de muito sucesso. Os dois começam a desenvolver um relacionamento. Marcos é casado e tem uma filha, mas eventualmente se divorcia e propõe casamento a Elize. Ela passa os anos iniciais do casamento em tratamentos para tentar engravidar pois a família de Marcos deixa claro que gostariam que ele tivesse um filho homem. Nasce uma menina e isso parece acelerar o crescente desinteresse de Marcos por Elize. Em um dia de crise conjugal, o crime acontece.
A opinião
No filme, tudo é mostrado mais do ponto de vista de Elize. Isso inclui as tensões que rondam o seu relacionamento com sua família, especialmente o padrasto, a crença de que o casamento com Marcos seria o portal para uma grande mudança de vida, as inseguranças, os traumas, etc. A interpretação de Lorena me pareceu muito boa para uma personagem tão densa e capaz do que fez.

O nível de violência mostrado é moderado, a fotografia escolhe mais imagens em sombras do que sob o sol, tem-se a impressão de que Marcos seguiria sempre o mesmo padrão em seus relacionamentos e que poderíamos até entender porque Elize fez o que fez. Porém, mesmo que a vejamos também como uma espécie de vítima, temos de lembrar que ela matou alguém. E especialmente a forma como o fez e como lidou com o cadáver. Eu acho que vale a pena ver o filme para dar mais conteúdo ao que se soube pelo noticiário, mas não deixa de ser triste, trágico e lamentável.









































