Confesso que não sou grande entusiasta dos trabalhos de Chloe Zhao. Acho Nomadland e Eternos chatíssimos. Mas agora ela está por trás de uma nova série de Buffy: A Caça~Vampiros, e principalmente, fez um filme que com certeza já está na minha lista dos melhores do ano. Estou falando de Hamnet: A Vida Antes de Hamlet, que no último domingo surpreendeu a todos ganhando o prêmio de melhor filme de Drama no Globo de Ouro. Ele vai estrear nessa quinta nos cinemas, após algumas pré-estreias pagas. Vale a pena ver!

O filme se baseia no livro de 2020 de autoria de Maggie O’Farrell. Ele começa no dia em que William Shakespeare e Agnes se conheceram no meio da floresta. Acompanha então o difícil início da vida dos dois juntos, e ainda o nascimento de seus três filhos. Mas o ponto de destaque de destaque da história é a tragédia, quando o casal perde seu filho de 11 anos para uma das várias pragas que assolaram o século XVI. Hamnet era o nome do menino e, nessa história ficcional sobre a vida doméstica de Shakespeare. O filme explora os temas da perda e da morte, acompanha a rotina e o dia a dia de uma família, bem como as alegrias e as tristezas e a história de amor poderosa que inspirou a criação da peça Hamlet.
O que achei?
O filme tem uma fotografia belíssima (repare no uso do vermelho em determinadas situações). A floresta, a madeira tem presença constante na história. Há ainda um sentimento um tanto sobrenatural na história. Tanto pelo relacionamento de Agnes com a floresta (sua mãe teria sido uma bruxa local), como também entre os irmãos gêmeos. A história é cheia de idas e vindas, com a paixão inicial entre Shakespeare (chamado aqui de Will) e Agnes. E depois segue com a loucura de Agnes pelos filhos. Você acaba se sentindo parte desse pequeno mundo, e sentindo tanto as alegrias , as paixões e principalmente a tristeza profunda. Seja o que for que tenha de realidade ou não na história, ela funciona perfeitamente.

Mas Hamnet não seria tudo o que é sem uma atriz com o poder de Jessie Buckley. Ela é sempre perfeita em tantos filmes como Pequenas Cartas Obscenas (Prime Video), A Filha Perdida (Netflix) e Entre Mulheres (MUBI). Mas o filme que me fez enxergar essa magnífica atriz e toda a sua densidade foi no pequeno filme As Loucuras de Rose (está na Prime Vídeo. Assista!). Aqui em Hamnet ela é a força do filme, em cada olhar, em cada reação, em cada lágrima. Repare em toda a sequência da peça, como sua expressão vai mudando em cada milisegundo . É um espetáculo.

E ainda é preciso ressaltar o trabalho dos coadjuvantes, Paul Mescal como Will, Joé Alwyn e Emily Watson também tem grandes momentos. E claro, o garotinho Jacobi Jupe, faz um Hamnet perfeito. Tem tanto talento quanto seu irmão Noah Jupe (que eu adoro). Aliás, Noah também está no filme, numa participação mais do que especial, e inesquecível. Tudo isso faz de Hamnet um espetáculo mais do que especial.










































