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Uma voz dissidente para falar de Nomadland

Nomadland ganhou três Oscars no último domingo. Filme, atriz para Frances McDormand e direção para Chloe Zhao. Muita gente adora o filme, que ficou bem popular em sites de pirataria. Acham emocionante e artístico!  Discordo. Em minha opinião, é chato, longo e deprimente. Creio que é mais uma dessas modinhas que o Oscar lança de vez em quando, tipo Moonlight ou Lady Bird. O filme estreia nessa quinta (29) nos cinemas.

É verdade que o Nomadland tem uma fotografia belíssima, com belíssimas cenas de paisagens amplas e solitárias. Isso é primordial para acentuar a solidão, para contar a história de Fern (Frances McDormand). O marido morreu. A cidade onde ela morava acabou já que a fábrica que empregava todos fechou. Ela optou então por uma vída nômade, viajando pelo país em sua van toda adaptada. Em cada lugar, Fern faz uns bicos, e conhece novas pessoas, que, como ela, também optaram por esse tipo de vida solitária. 

A crítica

A estrutura do filme mistura documentário com ficção. Os únicos atores profissionais são Frances McDormand e David Strathairn. Todos os outros são pessoas que são efetivamente nômades. A diretora costurou um roteiro (também dela) num estilo meio Borat. Ou seja constrói  situações a partir da experiência com essas pessoas. Na verdade, Nomadland é inspirado no livro Nomadland: Sobrevivendo à América no Século 21, de Jessica Bruder. Mas ela construiu uma nova personagem principal a partir da personalidade de Frances McDormand. A crítica ama Frances. Pessoalmente, acho que já faz alguns anos que ela atua  sempre como ela mesma. Aquela mulher de meia-idade auto-suficiente, que não tem medo de dizer o que pensa. Pense bem, é assim também em Três Anúncios para um Crime, que lhe deu também o Oscar de atriz há três anos.

Os Oscars

Em todos os três casos – filme, atriz e direção – , achei o Oscar injusto. Nomadland é um filme nascido para ser cult. Mas tem problemas de ritmo, e também é fora da realidade, partindo do princípio que é realista. Em momento algum, Fern tem qualquer ameaça de violência, mesmo andando sozinha por lugares do fim de mundo. Se isso não é uma fábula – nos tempos em que vivemos – não sei mais o que pode ser.  É difícil, sob o meu ponto de vista, ver Nomadland como o melhor filme do ano. Foi uma experiência chatíssima, onde era impossível para mim ter qualquer tipo de empatia com essa mulher. Os melhores momentos acabam ficando por conta das cenas com David Strathairn – ótimo como sempre – que, infelizmente são poucas. 

Falando do surpreendente Oscar para Frances, ela está bem. Mas não era páreo para Viola Davis, e nem para Carey Mulligan e Vanessa Kirby. A direção “fotográfica” de Chloe Zhao, não se compara ao transporte para diferentes universos dentro de um mesmo apartamento em Meu pai, de Florian Zeller. Mas, de qualquer maneira, é importante ver Nomadland, especialmente no cinema – é o filme vencedor do Oscar! Este é o local ideal para ter a experiência da sua magnífica fotografia. Pode  até ser que o filme tenha um apelo diferente para você. Para mim não emocionou e não funcionou.

 

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