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A controvérsia sem sentido sobre Boy Erased

Ontem (3), fiquei surpresa com a repercussão do fato que a Universal não ia mais lançar Boy Erased: Uma Verdade Anulada nos cinemas. É claro que um filme com Nicole Kidman e Russell Crowe, em tese, deveria ser um grande atrativo de bilheteria. Ainda é dirigido por Joel Edgerton (os filmes dele são sempre ótimos) . Mas trata-se de um drama, um filme pequeno, sobre a chamada “cura gay”. Cheguei a ler  vários posts em redes sociais  em que gente se perguntava se não seria censura, por pressão de grupos conservadores. Óbvio que não, né?

Quem conhece o mercado, sabe que esse tipo de filme  tem, em geral, uma bilheteria mínima, que muitas vezes não cobre os custos de lançamento. Ou seja, chega de mania de perseguição. É provável que a Universal estivesse esperando para tomar a decisão baseado nas indicações do Oscar. Como o filme não conseguiu nenhuma, não havia uma razão a mais para considerar que a bilheteria pudesse ser satisfatória. Realmente uma pena, pois o filme parece ser muito bom.

O caso de Bem-Vindos a Marwen

Na mesma ocasião de Boy Erased,  foi anunciado que também o filme Bem- Vindos a Marwen não teria lançamento nos cinemas. Dirigido por Robert Zemeckis, e estrelado por Steve Carell, mostra o dia a dia de um homem que se recupera de um ataque em um local terapêutico que o ajuda em seu processo de recuperação. Parece bom e emocionante. Mas, não vi ninguém falando sobre censura no caso desse filme…

Antigamente, esse tipo de discussão ainda tinha algum sentido, quando você tinha que esperar anos para ver um filme que não era exibido nos cinemas. Hoje, em dia, não mais. Os filmes estão disponíveis na internet quase imediatamente após seu lançamento (e não estou falando da pirataria). O próprio Boy Erased já tem lançamento programado em streaming. Ninguém vai deixar de vê-lo.

Kevin McHale

O ator Kevin McHale, de Glee (que eu adoro), chegou a fazer um tweet, falando sobre censura e citando nominalmente Jair Bolsonaro, dizendo que ele estava “censurando o conteúdo LGBT+”. Bolsonaro respondeu que “tinha mais o que fazer”.

A realidade da situação

A grande realidade é que a grande maioria do público não quer ver esses dramas pesados e pequenos. Quantas pessoas você acha que irão ver nos cinemas Se a Rua Beale Falasse, com Regina King favorita ao Oscar? Ou ainda No Portal da Eternidade, que deu uma indicação de melhor ator para Willem Dafoe? Ambos serão lançados essa semana , bem no meio do burburinho do Oscar, mas o esperado é que somente pague o investimento das distribuidoras, talvez nem isso…

Se eu preferia ver Boy Erased (e Bem-Vindos a Marwen) no cinema? Claro que sim. Mas são produções que podem ser vistas na tela pequena. São dramas intimistas, que tem a maioria das cenas em espaços fechados. É realmente uma pena que não exista mais público para esse tipo de filme nos cinemas. Mas também não é motivo para fazer todo esse barulho, falando em censura. Afinal, é uma coisa que a maioria não tem ideia de como eram os tempos em que você não podia ver o filme que queria em lugar algum. #prontofalei

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