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O desespero de enfrentar O Diabo de Cada Dia

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Desde sempre, vejo filmes e séries que se passam em cidadezinhas americanas do centro-sul dos Estados Unidos. E invariavelmente a sensação é que não é um lugar para visitar. Sempre tem gente estranha, que acaba fazendo um monte de loucuras, geralmente no meio do nada. E, é claro, todo mundo é infeliz. Já reparou? A sensação não é diferente no filme O Diabo de Cada Dia, que estreou hoje (16) na Netflix cercado de muita expectativa. Afinal, o filme é estrelado por Tom Holland e Robert Pattinson, ou seja Homem-Aranha e Batman. E de quebra vem o Soldado Invernal Sebastian Stan, que substituiu Chris Evans.

Não que eles estejam fazendo alguma coisa próxima de filme de super-heróis. Muito pelo contrário. A história é baseada em um romance famoso, escrito em 2011 por Donald Ray Pollock, que inclusive é o narrador do filme. Tudo se passa no período entre a II Guerra e a do Vietnã, e começa com  a volta para casa de Willard Russell (Bill Skarsgard) . Ele acabou de retornar da Guerra, e resolve se mudar para outra cidade com a mulher e o filho. A partir daí, tragédias provocadas pelos mais diversos fatores vão unir várias histórias. Isso inclui um casal de serial killer, um homem obcecado por religião, um xerife corrupto, um pregador  que não é nem um pouco santo. E tudo isso vai envolver o filho de Willard, Arvin, que já adulto, busca se tornar um homem bom, mas também violento em sua própria maneira.

A crítica

O filme tem 140 minutos, mas fica a sensação que todas essas histórias ficariam melhores numa minissérie. São tantos conflitos provocados pelo ódio, religião, ou pelo diabo de cada dia, que em alguns momentos, tudo parece meio corrido. Começando até pela própria conversão de Willard em um homem altamente religioso. O roteiro de O Diabo de cada Dia se divide em três partes. Começa com a chegada de Willard,  segue sua mudança com a família quando o filho ainda era menino. E finalmente quando Arvin se torna um adulto e Tom Holland assume.

Durante todo esse percurso você pode esperar muita violência, desespero, cenas realmente terríveis de olhar. Ou seja, se estiver deprimido, é melhor esquecer por um tempo. Entretanto,  é louvável o trabalho do diretor Antonio Campos. Ele filmou tudo em 35 mm, o que dá ao filme um aspecto quase sujo, que se encaixa perfeitamente na história. Antonio Campos também conseguiu grande eficiência de seu elenco.  Tom Holland e Bill Skarsgard têm as melhores atuações  de suas carreiras, como pai e filho que nunca se encontram. E Riley Keough é sempre ótima como parte do casal de serial killers. Robert Pattinson tem uma atuação bem carregada. Parece até que uma pessoa diferente o dirigiu. Entretanto acho que até combina com seu personagem, e funciona.

No final, fiquei envolvida pela história. Mas também tive aquela sensação que era algo que já tinha visto muitas vezes antes. Ou seja, é bom, mas não é tão especial quanto eu esperava.

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