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Filme A Assistente, da Amazon Prime, é surpreendente!

O mundo do cinema pode ser descrito entre antes e depois de Harvey Weinstein. Todo mundo conhece a história da grande queda  de um dos maiores produtores da história do cinema. Inclusive sua história acabou dando início ao #MeToo, que  revolucionou a posição da mulher na indústria do entretenimento. É claro que mais cedo ou mais tarde, Hollywood vai contar a sua história. Há rumores que a Plan B, de Brad Pitt, já teria os direitos para fazer um filme sobre ele. Mas enquanto esse momento não chega, há um que pode chegar perto dessa história. A Assistente, que estreou há pouco tempo na Amazon Prime, é um filme independente, obviamente feito com poucos recursos. Dirigido e roteirizado pela documentarista Kitty Green, é um dos filmes mais surpreendentes que vi nos últimos tempos.

O filme conta a história de  um dia na vida de Jane, uma aspirante a produtora de cinema. Ela é a assistente júnior de um poderoso magnata do entretenimento. Ou seja, um bom início para atingir os seus sonhos. Jane trabalha duro, obviamente. Chega de madrugada no escritório, antes de todos. O problema é que conforme Jane segue sua rotina diária, ela começa a perceber algumas coisas. Especialmente todos os abusos que envolvem seu ambiente de trabalho e sua posição profissional.

A crítica

Na época que o escândalo de Harvey Weinstein estourou, Kitty Green passou mais de um ano entrevistando pessoas que trabalhvam na empresa dele, a Miramax. É óbvio que usou muito do que ouviu para escrever o roteiro e as situações vividas em A Assistente. A forma como ela apresenta a história é brilhante. Nada é muito explicado. Você não vê o chefe (ele nem nome tem). É simplesmente Ele. Ele nunca aparece. Mas sua presença é sentida em todos os momentos. É como se fosse uma ameaça que paira acima da cabeça de todos, especialmente na de Jane.

Esse clima opressivo é especialmente ressaltado com a utilização dos efeitos sonoros. Há pouquíssima trilha sonora, nenhuma enquanto a ação se passa dentro do escritório. Com isso, os barulhos do dia a dia se tornam insuportáveis. Seja o teclado do computador, a máquina de café, e o pior de todos, o intercomunicador. Além disso, o filme conta com uma atuação arrebatadora de Julia Garner (de Ozark) como Jane. Cada pensamento, cada palavra não dita, cria o ambiente ainda mais tenso para o filme. Parece que você consegue ler as dúvidas que passam por sua cabeça.  É uma performance para ficar entre as melhores do ano.

A melhor sequência

Isso fica ainda mais claro na melhor sequência do filme. É quando Jane toma coragem para falar sobre o que vê de errado para o responsável sobre recursos humanos.  Ele é feito por Matthew Macfadyen (Succession). A forma como a cena é escrita, e como os dois atores interagem, é simplesmente perfeita. O filme  na verdade é uma ilustração de como os piores abusos são aqueles que não são “claros”.  Isso inclui especialmente o abuso  emocional – os pedidos de desculpas, os escândalos por telefone… A Assistente é uma lembrança imprescindível da razão pela qual é preciso lutar contra a dominação em todos os níveis. Em sua simplicidade de forma, o filme tem uma mensagem poderosa que o torna já um dos melhores do ano.

PS. Há uma aparição não creditada de Patrick Wilson numa cena do elevador. Será que ele é Ele? Humm, não seria tão educado, rs! Ou simplesmente Patrick Wilson? Ou ainda um amigo de alguém da produção? Sabe-se lá… rsrs. Também fica no ar…

 

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