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Um olhar especial sobre a 4ª temporada de The Crown

The Crown é uma dessas séries que são uma unanimidade. É uma produção requintada, de primeira linha. Têm grandes atores, um reconstituição de época fora do comum. Já ganhou um monte de prêmios. E mantém o fascínio que o mundo tem com relação aos membros da coroa britânica, especialmente Elizabeth II. Ainda mais nessa 4ª temporada, onde Diana, um ícone da cultura pop, começa a fazer parte da história. Meu amigo José Augusto Paulo, que morou na Inglaterra durante muito tempo, e conhece bem as histórias da monarquia, escreveu sobre a temporada, que está disponível na Netflix. É um olhar especial e diferente.

The Crown – Temporada 4

Nos anos 80, tivemos Brideshead Revisited, uma das séries britânicas de maior sucesso internacional. Nos anos 90 Aristocrats e The Bucanneers. A primeira década do século XXI nos trouxe pequenas jóias. Mas todas foram ofuscadas por Downton Abbey nos anos 2010. Agora, menos de dez anos depois, já estamos na quarta temporada de The Crown. O interesse (ou obsessão) do mundo com a aristocracia e a coroa britânica (ou talvez… digamos… inglesa) continua liderando as exportações de entretenimento da Grã-Bretanha. E continua alimentando sonhos e fantasias pelo mundo afora. Isso mesmo quando a série lhes parece fazer críticas.

Só que The Crown também tem suas diferenças. Não só é baseada em personagens reais (assim como The Aristocrats) , mas também cobre um passado mais recente.  Nesta quarta temporada, uma boa parte da população global lembra daqueles acontecimentos no Reino Unido entre 1979 e 1990 (os anos de Thatcher no poder). E para quem não lembra bem, a Netflix tem dois documentários excelentes sobre Diana Spencer .

Se considerarmos que The Crown é a segunda série mais cara já produzida pela Netflix, eu me pergunto se o custo se dá pela forma como a serie “corre” através dos anos e décadas. Ainda acredito que poderia ter ido mais devagar nos anos 60 quando havia ainda muito assunto para ser abordado. Especialmente se lembrarmos que as primeiras três décadas do reino de Elizabeth II tendem a ser aquelas que hoje mais se esquece.

Os detalhes da monarquia

E, nesta série bem produzida e nessa excelente temporada, o passar do tempo segue sendo o problema que encontro. Isso aliado ao fato de que edição e roteiro acabam deixando o público também com uma ideia errada sobre como e quando certos eventos ocorreram. Acho importante evitar alguma desinformação. É claro que a série se declara não totalmente fiel ao que se passou. Ela se baseia muito em noticiários para o basico dos episódios. Mas também faz muito uso de biografias – em grande parte não autorizadas – para preencher detalhes e diálogos.  Ainda assim é vista por muitos como um registro dos anos sob o comando de Elizabeth.

The Crown tende a não judiar muito dos fatos históricos como fez Young Victoria e Victoria, ou ainda Reino. Mas ainda assim, como exemplo, o retorno de Charles do tour a Australia em 1981 aconteceu meses antes do casamento com Diana. E não alguns dias como parece ser na série. Também é preciso ressaltar que Michael Shea deixou o serviço do palácio um ano depois do artigo no Sunday Times sobre a Rainha e Mrs. Thatcher e nao uns dias após. Já  a invasão do palácio por Michael Fagan foi um evento curto, rápido,  momentâneo e não  algo planejado.

A fotografia e a direção de arte

Mas, como disse, a série é boa e tão envolvente que cheguei ao episódio finais sem reparar. A fotografia, genial desde a primeira temporada, ficou ainda melhor. Tem efeitos muito sutis, uma textura quase aveludada na realeza e mais seca e com menos tons no resto. Continua a ser uma bonita mostra daquelas grandes casas que sobreviveram às muitas demolições dos anos 20 e 30 do século passado. E os interiores ganham mais proeminência. Especialmente uma excelente variedade de grandes pinturas de Van Dyck, Rubens, Reynolds e Gainsborough. O Balmoral e o Windsor da série ficam estranhos para quem conhece os verdadeiros.  Mas são aceitáveis. O movimento de câmera continua sutil, mesmo com muitas tomadas estáticas.

O elenco

Olivia Colman está ainda melhor como Elizabeth II. Parece que está mais confortável com o papel do que na terceira temporada. Tobias Menzies faz um Duque de Edinburgo que envelhece com graça e sem pressa. Josh O’Connor me parece um pouco menos Charles do que na terceira temporada. Erin Doherty ainda é uma Princesa Anne cortante, direta, e nisso até divertida. Gillian Anderson  se concentrou muito na voz de Margaret Thatcher, e em alguns de seus movimentos. Entretanto, parecia desconfortável com o cabelo e com pouco do sarcasmo coerente que a Primeira Ministra tinha. Por vezes, penso que Erin Doherty deveria ter feito Thatcher e Gillian a Princesa Anne. Só que aí haveria a questão da idade. O humor continua simples, de momento, sem interromper o drama. Os Thatcher em Balmoral são um bom exemplo.

Em uma temporada que cobre os anos de Thatcher e o casamento de Charles e Diana, nem todos irão concordar em como a época foi mostrada. E fica a questão se a intenção da série era de gerar opiniões e debate sobre aqueles anos. Mas, seja como a vejamos, The Crown é uma delicia para ser apreciada.

 

 

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