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Clint Eastwood continua ótimo dirigindo O Caso Richard Jewell

Clint Eastwood é um caso muito especial em Hollywoood. Aos 89 anos, ele continua a dirigir filmes fortes, com produções complicadas, com uma energia de um garoto.  Ele, que já ganhou dois Oscars como diretor – Os Imperdoáveis e Menina de Ouro – , chega agora com outro filme poderoso, que estreia essa semana nos cinemas. O Caso Richard Jewell é baseado em um fato real, e se torna ainda mais relevante em uma época em que discutimos tanto o conceito de fake news.

A história

Tudo começa em Atlanta, durante os Jogos Olímpicos. O mundo é apresentado a Richard Jewell pela primeira vez como o guarda de segurança que relata ter encontrado o dispositivo no atentado durante o show comemorativo. Inicialmente, o seu relatório o tornou um herói cujas ações rápidas salvam inúmeras vidas. Mas em poucos dias, o aspirante a agente da lei se torna o suspeito número um do FBI, difamado pela imprensa e, por consequência, pelo público, com sua vida destruída. Contratando o advogado anti-sistema e independente, Watson Bryant, Jewell firmemente professa sua inocência. Bryant, porém, descobre que terá que lutar contra os poderes combinados do governo e da imprensa para limpar o nome de seu cliente, enquanto impede Richard de confiar nas pessoas que tentam destruí-lo.

O elenco e a crítica

Baseado num artigo da revista Vanity Fair escrito por Marie Brenner, o filme traz uma história interessante e atual. E Clint Eastwood já comprovou que sabe contar uma boa história sobre pessoas comuns, que são jogadas numa situação incontrolável. Sully: O Herói do Rio Hudson e American Sniper estão entre os mais recentes. Aqui, ele coloca um ator semi-desconhecido para aumentar ainda mais a identificação do público com a vítima do filme. Paul Walter Hauser esteve em Infiltrado na Klan e Eu, Tonya sempre de forma competente. Mas era impossível imaginar como sua atuação poderia ser deslumbrante como o centro das atenções do filme, o Richard Jewell. E além disso, ainda deixa claro, que Jewell não é perfeito, mas também não era o culpado do que era injustamente acusado (isso não é spoiler, é uma história real). É interessante saber que o papel era originalmente para ser de Jonah Hill, que acabou ficando somente como produtor. Foi uma boa escolha.

Além dele, o filme também conta com outros atores em estado claramente inspirado. Têm Jon Hamm como o investigador do FBI, e ainda Olivia Wilde como a jornalista que começa toda a perseguição à Jewell. Esse personagem, aliás, acabou criando várias controvérsias na imprensa devido à forma vilanesca com que é mostrado. E, é claro, também têm as atuações maravilhosas de Sam Rockwell (que ocasionalmente me surpreende de forma muito positiva como aqui) como o advogado, e de Kathy Bates. Como a mãe sofredora de Jewell, ela emociona, faz rir e chorar. Tanto que foi a vencedora do prêmio de atriz coadjuvante pelo National Board of Review, e ainda está indicada para o Globo de Ouro, que acontece no próximo dia 5. É a única indicação do filme.

Eu não me lembrava dessa história, então o filme foi uma descoberta atrás da outra. Pode não ser totalmente apurada, afinal todos os filmes têm suas liberdades criativas. Mas é uma produção importante de ser conhecida, especialmente no mundo em que vivemos.

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