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A beleza e a melancolia presentes em A Crônica Francesa

Wes Anderson tem um estilo todo especial. Tem pelo menos uma grande obra-prima, Ilha dos Cachorros (disponível no Star Plus) . Também tem outros bons filmes como o Grande Hotel Budapeste e Os Excêntricos Tenenbaums (também estão no Star Plus). Hoje estreia no cinema o seu último filme, A Crônica Francesa . É também sua obra mais hermética e difícil para o entendimento do grande público.

O filme A Crônica Francesa narra um conjunto de histórias da última edição de uma revista americana, publicada numa cidade francesa fictícia, do século XX. Por ocasião da morte do seu amado editor Arthur Howitzer Jr., a equipe de uma revista americana, com sede na cidade francesa de Ennui-sur-Blasé, reúne-se para escrever o seu obituário. Memórias de Howitzer fluem para a criação de três histórias. A primeira é  “A Obra-Prima Concreta”. Conta a história de um pintor criminalmente louco, o seu guarda e musa, e seus vorazes negociantes. Já  “Revisões para um Manifesto” é uma crónica do amor e da morte nas barricadas no auge da revolta estudantil. O último é  “A Sala de Jantar Privada do Policial”, um conto de suspense sobre rapto e jantares chiques.

O que achei de A Crônica Francesa?

Wes Anderson tem um estilo todo especial, mas aqui ele chegou a um certo extremo. É um filme delirante, com muitos silêncios, mas com uma narração que não para. É um universo que parece um desenho de stop-motion. O filme alterna preto e branco com colorido, além de uma parte de desenho animado. A cenografia, fotografia, trilha sonora, figurino, tudo é perfeito. Parece que você está olhando uma obra de arte. Só que apesar de ser um filme curto, tem uma linguagem tão cansativa, que parece interminável. 

Cada história tem seu próprio estilo. A melhor delas é justamente a primeira, com Benicio Del Toro, Lea Seydoux e Adrien Brody. É a que tem a história mais fluída, e interessante. A segunda, com Timothée Chalamet e Frances McDormand já começa a incomodar. A terceira, estrelada por Jeffrey Wright, é tão sem noção, que “me perdeu” completamente. Cada uma delas tem seu próprio estilo, que corresponderia a cada um dos escritores da história. Mas tudo, é claro, tem a cara – estranha – de Wes Anderson. Sua obsessão por nostalgia e detalhes é assombrosa. Assim como a sensação de melancolia que  domina sua narrativa.

O interessante é observar o elenco assombroso que Anderson conseguiu reunir. Alguns deles fazem pouco mais que um ponta. Esse é o caso de Christoph Waltz, Elisabeth Moss, Rupert Friend, Cecile de France, Henry Winkler, só para citar alguns.  Os atores-fetiche do diretor também estão lá: Bill Murray, Owen Wilson, Adrian Brody e Tilda Swinton. Essa última, aliás, está ótima com sua dentadura e cabelão laranja.

E no final…

No final, A Crônica Francesa é um desses filmes que vão virar – ou já nascem – cult. São visualmente belos,  tem um estilo todo especial, devem ser conhecidos, mas depois… nunca mais. 

 

 

1 Comentário

1 Comentário

  1. Eloisa

    2 de fevereiro de 2022 às 1:32 am

    Como eu vou sempre pelas suas críticas, esse também estou foraaaaaa?‍♀️??

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