Eu gosto muito de Ben Affleck como diretor. Argo é um de meus filmes da vida, e também admiro muito o seu trabalho em Atração Perigosa e Air: A História por Trás do Logo. Confesso que o prefiro como diretor do que como ator, rsrs. E agora estreou na Netflix mais um de seus trabalhos. Ben é astro, diretor, co-produtor e co-roteirista de Sobrevivência, uma mistura de suspense, ação policial e drama sobre casamento. Escorrega em uma ou outra coisa, mas prende a atenção numa trama conhecida.

Sobrevivência conta a história de um candidato à prefeitura de Los Angeles e de sua esposa diante de uma situação inquietante. O filho do casal é sequestrado e a família precisa correr contra o tempo para levantar o valor necessário para o resgate. O dinheiro dos dois foi usado para a campanha eleitoral e o desespero faz com que eles ultrapassem limites que jamais imaginariam cruzar, recorrendo a decisões cada vez mais questionáveis para recuperar o filho. Enquanto tentam manter a aparência de uma família respeitável e preservar a carreira política do candidato, o lado obscuros de suas vidas começam a vir à tona.
Histórias de bastidores
O filme é obviamente inspirado no filme Céu e Inferno, de Akira Kurosawa . Você deve se lembrar que ainda no ano passado Spike Lee e Denzel Washington fizeram um filme chamado Luta de Classes (crítica aqui), que está disponível na Apple TV, que tem uma história bem similar. Tanto que quando soube disso, Ben quase desistiu do projeto. Mas retrabalhou o roteiro para adicionar o drama familiar para diferenciar a história – só que ficou parecida do mesmo jeito. Com o atraso, Matt Damon que deveria estrelar o filme com Ben dirigindo teve que desistir do projeto por causa de seus compromissos com A Odisseia. Quando Ben assumiu também o papel principal, Jennifer Garner (ex de Ben), que faria o papel da esposa também desistiu (tem momentos do roteiro que acho que seriam muito saia justa para o ex-casal).

O que achei?
Com todas essas mudanças e a entrada de Kerry Washington no elenco, o filme foi em frente. Como disse, Ben é um ótimo diretor, e faz você ficar grudado no que está acontecendo, e quanto menos você souber sobre a história, melhor irá aproveitar as idas e vindas do roteiro. É claro que há várias “escorregadas”. A pior delas é uma cena de cama totalmente gratuita e improvável – ainda mais no momento que o casal estava vivendo.

Mas há destaques. O maior deles é a presença de Gillian Anderson, como a mulher que “assessora” o casal no trato com os sequestradores. Fria , calculista, bem vestida e maquiada, ela está sensacional. Ben e Kerry não tem grande química, mas estão bem em seus papéis, e talvez a falta de química até ajude a deixar claro o momento que o casal está vivendo. O elenco ainda tem Steven Yeun. que é só um coadjuvante de luxo sem grandes chances.

A maioria da crítica “espinafrou” o filme. Mas, sinceramente, eu embarquei na história. Esquecível, mas que funcionou numa noite chuvosa.









































