Você provavelmente deve ter ficado com o pé atrás, como eu, ao saber da nova versão de Carrie A Estranha. Afinal, o filme dos anos 70 é um marco, não só pela direção de Brian de Palma, mas também pelas atuações indicadas ao Oscar de Sissy Spacek e Piper Laurie . Houve uma refilmagem , com Chloe Grace Moretz , que não funcionou ( crítica aqui) . Mas, a boa surpresa é que a série Carrie, a Estranha , que estreou na Prime Vídeo, é boa demais, e funciona perfeitamente, adaptando a história para os dias de hoje.

Tudo se passa nos dias atuais e explora a vida de Carrie White (Summer H. Howell), uma adolescente criada pela mãe extremamente religiosa. Após crescer isolada de outras crianças, ela precisa encarar os desafios da vida escolar após uma tragédia familiar mudar completamente sua rotina. Ao chegar no colégio, ela encontra um ambiente marcado pelo bullying. É também nesse momento que Carrie começa a descobrir poderes telecinéticos. Ao passo que suas habilidades ganham força, ela é levada ao limite emocional. Isso desencadeia uma série de acontecimentos capazes de transformar sua vida e a de todos ao seu redor.
O que achei?
A série é uma criação de Mike Flanagan, que é o responsável por uma das séries mais assustadoras que vi nos últimos tempos, Missa da Meia-noite, da Netflix (crítica aqui) . Essa nova Carrie não pretende ser assustadora. Mas sim um eficiente drama sobre aceitação do diferente, e o ambiente escolar tóxico dos dias de hoje. Carrie aqui é doce , e entusiasmada com as novas descobertas. Mas tem que lutar contra a superproteção da mãe, uma neurótica que não quer que ninguém se aproxime da filha , e uma estudante da sua escola, Chris, que não suporta nada nem ninguém que não seja aquilo que ela deseja.

Com 8 episódios , acompanhamos a jornada de Carrie que sabemos onde vai dar: o banho de sangue durante a festa de formatura. Mas é muito interessante acompanhar a jornada dela até chegar a esse ponto. Tanto no relacionamento com a mãe como com demais colegas de escola. Flanagan reúne vários pontos que são um pesadelo nos dias de hoje : bullying, fotos distribuídas na internet , professores que assediam alunas , pais que usam a desculpa de estarem protegendo os filhos, mas que na verdade os incitam a um comportamento errado de dominação e poder.

O elenco principal está ótimo. Especialmente Summer H.Howell que consegue mostrar o processo de mudança de Carrie com louvor. E também Samantha Sloyan ( também de Missa da Meia-Noite ), perfeita demonstrando também o amor meio torto de mãe para filha , além de sua loucura religiosa e vontade de impor sua forma de pensar. A série ainda tem as participações especiais de Matthew Lillard (o diretor) , Amber Midthunder ( de Predador: A Caçada , como a professora) , Heather Graham e Gil Bellows ( como a mãe e o padrasto de Chris) . Todos ótimos e com seu momento de brilho garantido.

E no final…
No final, a série não tem o final que você esperaria, e já deixa uma porta escancarada para uma segunda temporada. Não sei se seria uma boa ideia. Essa nova Carrie se concentra no drama e os poderes de Carrie são somente um dos lados dessa história. Qualquer coisa diferente pode não funcionar tão bem. Especialmente porque essa temporada foi tão boa. Mas vamos ver o que vem por aí.









































