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Um filme cativante: Seu Nome gravado em Mim, de Taiwan

Conheço pouco do cinema de Taiwan. Provavelmente só Lanternas Vermelhas, e os de Ang Lee, como Comer, Beber e Viver. Isso sem contar um de meus preferidos, O Tigre e o Dragão. E agora, meu amigo José Augusto Paulo assistiu Seu Nome gravado em Mim, uma produção de 2020, que está disponível na Netflix. Veja a crítica:

Seu Nome Gravado em Mim

Taiwan, desde minha infancia, era a China Nacionalista que os Estados Unidos apoiavam. Era baseada na Iha de Formosa, nome dado pelos portugueses quando lá chegaram no seculo XVI. Sua capital é Taipei. Lembro de anos de Lei Marcial, de ser uma semi-ditadura, mas era só. Nos anos 90 e 2000 tambem ficou notavel pela ascensão de firmas de transporte como Eva Air e Evergreen. Mas recentemente Taiwan me surpreendeu pelo seu cinema, pelos temas que aborda, por um toque realista nos seus filmes e por parecer China, mesmo não sendo.

O país sempre se esforça em manter as diferenças com a China continental. Desenvolveu um apetite por temas pelos quais Pequim não tem grande apreço, como a homossexualidade. Se beneficiou inclusive de alguns de seus diretores terem ido fazer carreira nos EUA para lançar seus filmes cada vez com mais sucesso. Ang Lee é um dos mais famosos filhos de Taiwan, que se tornou conhecido no cinema com filmes como A Vida de Pi, Razao e Sensibilidade, Hulk, O Segredo de Brokeback Mountain, etc.

A crítica

Vem de lá o filme Your Name Engraved Herein,  traduzido por aqui como Seu Nome gravado em Mim. Dirigido por Kuang-Hui Liu, é o titulo de uma canção (e que depois do filme não me saiu da mente por uns três dias). No filme também está em um momento em que aparece na lápide de um túmulo (ainda estou sem saber se foi intencional ou se foi brincadeira da produção). Quase parece querer seguir a linha de títulos de força emocional como Me Chame pelo seu Nome.

Entretanto, a historia, que pode soar muito parecida com outros filmes com tematica LGBT pelo mundo afora, acaba nos cativando pela excelência das atuações. Faz com que possamos sentir a angústia dos dois estudantes do colegio semi-interno tipica da idade. Ela é exasperada pela homofobia e regime semi militar da Taiwan de 1987. Tem uma fotografia delicada (muitos tons pasteis no colegio e nas residencias, contrastando com muito neon pelas ruas e nos restaurantes, etc. angulos inteligentes, textura afiada). E ainda a beleza das músicas, mesmo cantadas em mandarim.

A história gira em torno de dois colegas de um colégio, nos ultimos anos antes da universidade. Mostra como se desenvolve sua amizade, as referências ao filme Birdy – Asas da Liberdade. E ainda os dramas familiares, as expectativas, e momentos ternos em tênue equilibrio com os mais tensos. Bullying, a descoberta das emoções, o questionamentos sobre quem cada um pode ou quer ser.  Tudo entra no ritmo do filme, contado em memórias, até chegarmos ao presente, decadas depois, e o consquente desfecho.

Tudo muito bem feito para prender sua atenção de forma sutil e com momentos de boa emoção. O final  se parece com uma poesia simples mas profunda, em uma Quebec que mais parece Espanha ou Itália.

 

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