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O Guardião e o Legado da Espanha na Netflix

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Contar histórias em capítulos no cinema é sempre uma coisa complicada. Ao contrário de séries, onde você espera que aconteçam coisas que você só saberá mais para frente, o filme, em geral, devem contar uma história com começo, meio e fim. Mesmo que haja uma continuidade mais para frente. Star Wars, O Senhor dos Anéis, Harry Potter, Crepúsculo, Jogos Vorazes, todos deixam com uma vontade de mais, mas contam claramente sua história. Não é o caso de O Guardião Invisível e Legado nos Ossos, dois filmes disponíveis na Netflix, e que são as duas primeiras partes baseadas nos livros da trilogia Baztan.

A trilogia é de autoria de Dolores Redondo. Confesso que vi os dois seguidos um do outro, apesar de O Guardião Invisível já ter sido lançado há algum tempo. Mas, em ambos os casos, achei os filmes razoáveis como policiais, mas fiquei frustrada pois percebi que vários pontos foram deixados soltos em ambos os filmes. Um terceiro – Oferenda à Tempestade –  já está programado, ainda sem data de estreia, mas é provável que ainda este ano.

O Guardião Invisível

Tudo começa quando a policial espanhola Amaia Salazar (Marta Etura), inspetora de polícia de Pamplona, ​​é orientada por seu superior para investigar um assassinato. O caso refere-se a uma adolescente cujo corpo nu foi encontrado ao lado de um rio perto de Elizondo, cidade natal de Amaia. Elizondo é uma vila chuvosa cercada por florestas e montes, cheia de mitos locais e superstições antigas. Só que logo mais corpos nus de meninas adolescentes são encontrados na floresta. Tentando resolver o caso e descobrir a identidade do assassino, Amaia deve não apenas enfrentar seu próprio trauma de infância por causa de abusos de sua mãe, mas também uma crescente suspeita de que talvez o assassino seja alguém que está perto demais.

O “clima” do filme é interessante, ele é até mais eficiente que a sequência. Mas, mais uma vez, o incômodo são as várias pontas soltas que a história deixa pelo caminho. O sobrenatural é presente,  com o Guardião, mas não muito. O filme flerta com essa parte, mas talvez só se assuma na cena final.  Entretanto, um ponto positivo é que a atriz principal é boa, e funciona.

Legado nos Ossos

A sequência começa com uma cena que se passa em 1611, época da caça às bruxas/inquisição na região de Navarra, na Espanha. O inquisidor Alonso de Salazar chega ao local para investigar eventos obscuros praticados pelos moradores. Logo a história corta para 2019, e a  inspetora Amaia, agora  está prestes a ter um bebê, e presencia uma nova morte de um dos acusados de assassinato do primeiro filme. Depois de ter o bebê, em seu retorno ao trabalho, novos crimes começam a surgir em Baztan, em sua cidade natal. Os crimes são macabros. Após assassinar suas vítimas e decepar um dos braços, os criminosos cometem suicídio e deixam apenas um bilhete com uma palavra escrita: Tarttalo.

Algumas respostas que ficaram no ar no primeiro filme aparecem aqui, mas nem todas – o que aconteceu com o pai, por exemplo. A produção ficou mais bem cuidada, as cenas da invasão da água são bem feitas. Como história, o anterior era mais interessante. Aqui Amaia ficou tonta demais. Será que isso é uma forma de dizer que a culpa é da maternidade? A cena do enfrentamento na caverna acabou ficando muito ridícula.  Faz com que o filme se perca, mais uma vez deixando em aberto detalhes importantes.

O filme traz um novo personagem, o juiz Xavier, feito por Leonardo Sbaraglia, que esteve recentemente em Dor e Glória. Tem pouco a fazer nesse filme, mas dá a entender que sua relação com Amaia passará para um outro nível no último filme da trilogia. Aí a coisa começa a ficar interessante…

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