Eu costumo dizer que vejo poucos documentários (pura falta de tempo). Mas quando vejo algum que tem a ver com a história do cinema, ou sobre a carreira de algum expoente, vou correndo assistir. E nesse fim de semana, assisti dois deles, ambos muito bons. O primeiro já tinha estreado há algum tempo. É O Lendário Martin Scorsese, sobre a carreira e vida do famoso diretor Martin Scorsese. Está na Apple TV e tem cinco episódios. O segundo, que achei muito melhor, é Mel Brooks: O Homem de 99 anos, que conta a história do grande diretor, ator, roteirista, produtor, Mel Brooks (sou fã de carteirinha dele). São dois episódios de duas horas cada, e está disponível na HBO MAX.

O Lendário Martin Scorsese
A série tem a direção de Rebecca Miller (esposa de Daniel Day Lewis e filha do dramaturgo Arthur Miller). Ela alterna entrevista do próprio Scorsese com Rebecca, e entrevistas com outras pessoas famosas que estiveram presentes em diversos momentos de sua carreira, como Robert de Niro, Leonardo diCaprio, Sharon Stone, Cate Blanchett, Spielberg e o pròprio Daniel Day Lewis, entre vários outros. Há também nomes menos conhecidos do grande público, como roteiristas e até fontes inspiradoras de seus filmes de máfia. E claro, a família.

Além disso, há muita coisa de bastidores das diversas épocas, telejornais (há uma parte bem interessante mostrando os piquetes e entrevistas contra a exibição de A Última Tentação de Cristo). Scorsese ainda se coloca com um injustiçado, constantemente a ponto de explodir (e uma vez quase explodiu), um outsider. O que achei positivo é que Scorsese não se nega a falar sobre seu temperamento, sobre quebrar telefones, e muito mais.

Mas, no meu ponto de vista, faltou muita coisa. especialmente em tempos mais recentes. O quarto dos cinco episódios termina ainda nos anos 90. Com isso, me senti completamente órfã, já que meu filme favorito do diretor, A Invenção de Hugo Cabret, foi totalmente ignorado. Há muita coisa do início da carreira – e obviamente dos dois filmes com Daniel Day Lewis -, mas a fase mais recente de sua carreira é praticamente só uma pincelada. Termina com as filmagens de Assassinos da Lua das Flores. Precisaria muito mais, entretanto, o documentário é uma boa base para se ter uma ideia da grandiosidade desse maior cineasta outsider da história do cinema.

Mel Brooks: O Homem de 99 anos
O documentário segue a mesma linha do de Scorsese. Uma entrevista do diretor Judd Apatow com Mel Brooks, e outras com filhos, e pessoas que trabalharam com ele , sejam atuais ou de arquivo. Entre os atuais estão Jerry Seinfeld, Adam Sandler, Dave Chapelle. É especialmente triste ver as entrevistas dos recentemente falecidos David Lynch, que fala claramente que deve sua carreira a Mel Brooks, que o contratou para dirigir O Homem Elefante, e Rob Reiner. A parte de Rob Reiner é especialmente tocante porque ele conheceu Mel ainda criança. Isso porque o pai de Rob, Carl Reiner, era o melhor amigo de Mel. Um video com ambos inclusive finaliza o documentário.

Mas, o mais interessante é ver cenas de bastidores, de seus filmes mais famosos (e rir com elas novamente). Ainda ver que personalidade incansável desse artista detentor do EGOT, que até hoje continua trabalhando em sequências de seus grandes sucessos – a próxima será SOS Tem um Louco Solto no Espaço. E principalmente vê-lo ainda hoje falar com um carinho imenso daqueles que se foram como a mulher, Anne Bancroft (que história linda desses dois), e os amigos Carl Reiner e Sid Caesar.

Judd Apatow e o co-diretor Michale Bonfiglio fazem um trabalho soberbo em tentar desvendar esse homem genial, que fez um filme mudo de comédia em plenos anos 70 – A Última Loucura de Mel Brooks. E especialmente de sua história. Uma infância pobre, depois soldado da segunda guerra, como um grande crítico que usou a comédia para falar sobre preconceito, governantes enlouquecidos, o poder do marketing, e muito mais. Ri e me emocionei com esse belo trabalho. Obrigatório para quem quer saber mais sobre a história do cinema.

E ainda…
PS – Para quem não sabe, o título O homem de 99 anos, é uma brincadeira com o primeiro grande sucesso de Mel, O Homem de 2000 anos, sketches que ele fazia com seu grande amigo Carl Reiner.









































