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Uma pequena homenagem a Diahann Carroll!

Uma das primeiras séries que me lembro de assistir quando era pequena era Julia. Eu adorava assistir as confusões do garotinho Corey Baker, filho da personagem principal, Julia, e seu vizinho Earl J.. Mas o que eu não sabia na época é que Julia era uma série com uma importância histórica. Foi a primeira vez que uma atriz negra, Diahann Carroll, era a estrela de uma série de horário nobre na TV americana. Quando Julia terminou depois de três temporadas em 1971, foram necessários que 40 anos se passassem para que uma série estrelada por uma outra atriz negra fosse exibida na TV americana. Era Kerry Washington e a série era Scandal. O momento em que as duas entraram juntas no palco do Emmy de 2013 foi um desses inesquecíveis e totalmente emocionantes.

Hoje (4), fiquei muito triste de receber a notícia da morte de Diahann Carrol. Segundo o Hollywood Reporter, ela morreu em casa aos 84 anos, após uma longa luta contra um câncer. Diahann começou sua carreira no teatro. No cinema, estreou em 1954 em Carmen Jones. Fez ainda Porgy and Bess(1959) e Paris Vive à Noite (1961) ao lado de Sidney Poitier, com quem viveu um relacionamento de vários anos. na época os dois eram casados com outras pessoas. O affair durou nove anos, e Diahann contou tudo em sua autobiografia The Legs are the Last to go.

Julia

Foi a vencedora do Tony em 1962 pelo musical No Strings. Alternando cinema e teatro, chegou o convite para fazer  a série Julia. Não só era a primeira vez que uma mulher negra estrelava uma série. Julia era uma enfermeira chique e inteligente, que cuidava sozinha de seu filho Corey, já que o marido havia morrido no Vietnã. Lloyd Nolan fazia o médico, chefe de Julia. O veterano ator disse em entrevistas na época que é um dos papeis que ele tem mais orgulho de ter feito. Por Julia, Diahann foi indicada ao Emmy e ganhou o Globo de Ouro. Só que ao final da terceira temporada, Diahann pediu para sair porque, segundo ela, não aguentava mais as controvérsias  sobre seu personagem. Isso porque havia sempre críticas dizendo que a série não mostrava a verdadeira vida de uma mulher negra nos Estados Unidos.

Pouca gente na época podia perceber o quanto Julia foi importante. Em uma determinada cena, o garotinho Earl J., vizinho de Julia  e branco perguntava a ela como era ser uma pessoa “de cor”. Julia respondia com uma pergunta: “Por que você não me diz?”. Earl J. ficava confuso, e dizia que não sabia pois era branco. Ao que Julia  respondia, “Mas branco é uma cor”. Realmente era uma série à frente de seu tempo.

Dinastia e mais…

Com o fim da série, Diahann voltou para o teatro e para apresentações como cantora. Voltou ao cinema para fazer Claudine, em 1974. O filme, co-estrelado por James Earl Jones, deu a ela sua única indicação ao Oscar. Foi então que ela voltou para TV para fazer Dinastia e The Colbys, de grande sucesso na época.

Vieram então vários telefilmes e participações em séries como A Different World, Lonesome Dove, entre tantas. Já nos anos 2000, Diahann Carroll entrou em Grey’s Anatomy como a mãe de Burke (Isaiah Washington), que naõ gostava nem um pouco de Christina (Sandra Oh).

Seu último papel na TV foi em White Collar, onde era June, a viúva que dá a Neal Caffrey (Matt Bomer) um lugar para viver. Foram 25  episódios durante seis temporadas. E ela continuava o máximo!

E no teatro…

Mas, foi no teatro onde ela mais brilhou. Ela fez  vários musicais, como Sunset Boulevard e House of Flowers, de Truman Capote e Harold Harlen. Aqui, numa apresentação posterior ela cantou Sleeping Bee dessa peça. E arrasou, como sempre! Vai fazer falta, com seu talento, sua classe e sua bela voz. Obrigada por tudo, Diahann Carroll!

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