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O conflito tão atual de Confirmation, com Kerry Washington

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É interessante assistir Confirmation, o filme da HBO que será exibido  hoje,  sábado, dia 16, às 22 horas, simultaneamente com os Estados Unidos. Ele relata acontecimentos reais dos anos 90, mas que parecem mais atuais do que nunca. Ao relatar o caso de grande exposição pública de Anita Hill e um candidato à vaga de juiz do supremo tribunal americano, Clarence Thomas, podemos ver similaridades com situações não só da política americana de hoje, mas com a brasileira. Só por causa disso já valeria a pena, mas há mais…

Lembro bem do caso na época. Anita Hill, uma professora universitária acusou um candidato a juiz da corte suprema, Clarence Thomas, de a ter assediado sexualmente. Isso provocou uma comoção, onde os dois tiveram que comparecer perante uma comissão que investigava o caso composta por senadores e presidida por Joe Biden, que hoje é vice-presidente dos Estados Unidos. Isso foi o suficiente para mudar a forma como os Estados Unidos encaravam os processos similares de assédio até os dias de hoje. O filme, produzido e estrelado pela atriz de Scandal, Kerry Washington, é claramente pró-Anita Hill (apesar de nunca mostrar que o assédio aconteceu por parte de Thomas) e também pró-democrata.  Kerry inclusive deu uma entrevista ao The Hollywood Reporter, onde foi questionada sobre isso. Ela respondeu:

“Muito desse feedback vem de pessoas que não viram o filme…Não é um filme de propaganda política. E um filme sobre pessoas complicadas numa situação realmente complexa fazendo o melhor com as ferramentas que dispõem. Nós fizemos a nossa parte. Susannah (Susannah Grant, a roteirista) ficou imersa em pesquisa e fez várias checagens… É claro que vai incomodar algumas pessoas – faz sentido. Incomodou na época, e deverá continuar incômodo agora.”

Kerry Washington e a verdadeira Anita Hill

Por mais que o discurso de Kerry seja politicamente correto, o filme mostra a maioria dos republicanos como os vilões da história. E isso não quer dizer que seja incorreto. A história mostra que a administração do republicano Bush pai foi considerada retrógrada na política norte-americana. A manipulação da opinião pública e da imprensa por parte do governo continua extremamente chocante, e nunca esteve tão em evidência no mundo. Uma curiosidade é que um dos “soldados” de Bush na defesa de Thomas é Secretária de Imprensa Judy Smith (feita no filme por Kristen Ariza). Judy é ninguém menos do que a inspiração dos produtores de Scandal para Olivia Pope.

Alison Wright, Jeffrey Wright, Kerry Washington (de Dolce & Gabanna), Wendell Pierce, Zoe Lister-Jones e Greg Kinnear na pré-estreia do filme em Hollywood

Como todas da HBO, a produção do filme é muito bem cuidada, com um elenco de apoio forte, que inclui Greg Kinnear (como Joe Biden), Grace Gummer, Jeffrey Wright, Eric Stonestreet, Treat Williams (como Ted Kennedy), Jennifer Hudson, Bill Irwin, entre outros. Mas é claro que os dois principais personagens dessa história são aqueles que tem maior chance de brilhar. Você com certeza vai reconhecer o rosto de Wendell Pierce, de filmes e séries como Selma, Parker, Ray Donovan e Suits. Ele tem aqui a maior chance de sua carreira e faz um belo trabalho. Já Kerry Washington realmente me impressionou. Sua expressão corporal, sua ação reativa, seu olhar. Ela é extremamente bem-sucedida em se afastar completamente de um personagem tão marcante e forte como Olivia Pope. Com certeza, terá uma indicação ao Emmy, assim como o filme. Vale conhecer!

Abaixo, veja o trailer (sem legendas)

 

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