Eu confesso que nunca tinha ouvido falar da série Muito Esforçado (Overcompensating), que está disponível na Prime Video. Mas fiquei interessada depois da crítica apaixonada de meu amigo José Augusto Paulo, que gostou bastante, especialmente de dois episódios da série. Trata-se de uma produção de 2025, sem atores conhecidos, mas que vem sendo bem elogiada. Inclusive já foi renovada para uma segunda temporada. Veja abaixo a crítica de José Augusto:

Muito Esforçado
Um dia, ao terminar de assistir pela primeira vez, na televisão Quem tem Medo de Virginia Wolf, com Taylor e Burton, senti uma grande vontade de aplaudir. Fiquei tão positivamente impressionado com o filme, que algo em mim queria reconhecer um trabalho bem feito. Desde então, aquele momento de querer aplaudir ressurge em algum filme, mas bem menos comum em series. Até que cheguei aos episódios cinco e sete de Muito Esforçado. Ao terminá-los, senti que mereciam um aplauso mesmo que simbólico.

Sim, eu sei, pode parecer exagero. Especialmente quando se trata de uma série sobre um rapaz (Benny, interpretado por Benito Skinner, também criador e diretor da série). Ele é um jogador de futebol americano, que chega ao nível universitário como o bom moço do interior, atleta dedicado, venerado pelos pais, com todos os aparatos daquela imagem do imaginado perfeito. Mas ele também luta para aceitar sua sexualidade. O “muito esforçado” do título se refere tanto aos esforços que ele fez para criar essa imagem, como também direcionados a abafar qualquer tentativa de explorar sua possível homossexualidade.

Pois é, a serie é basicamente isso, com personagens que vivem o cotidiano estudantil com Benny. Entre eles destaca-se Carmen (Wally Baram) que chega a Yates com uma bagagem emocional também instável, com dores do passado e sem saber como será o futuro. Temos também a irmã de Benny(Mary Beth Barone). Ela claramente ressente o irmão e toda a devoção que ele recebe dos pais enquanto ela é quase ignorada. E é esse trio que, por suas interações, fará com que os episódios cinco e sete sejam os melhores (bem melhores) entre os oito da primeira temporada.
Falando sobre os episódios
Os outros episódios, apesar do humor ser por vezes forçado e vários dos personagens não terem muita profundidade, valem a pena ser vistos. Isso apesar de falhas no tempo, mesmo no roteiro e umas escalações que não foram as melhores. Não é um elenco que se integra bem. Mas Benito Skinner, que levou tempo para se tornar mais conhecido de um publico maior, faz um esforço e tanto para passar uma mensagem que por vezes parece autobiográfica. Ele tem uma voz bonita, um pouco abaritonada, que combina com a imagem que o personagem luta para manter. Mas, além disso, interpreta bem (talvez por ter vivido a história) e nos convence do quanto se auto flagela na tentativa de negar seus desejos mais íntimos. Carmen faz uma jornada paralela, mas é bem mais honesta, não só com Benny como consigo mesma.

Ambos cometem suas falhas, tentando navegar como é viver nesse novo ambiente, longe de casa, etc. O episódio cinco é justamente isso: uma combinação de desapontamentos e possíveis dores de amor. De se crer em algo que se desfaz tão rapidamente e de forma tão pública que machuca bem mais do que se espera. E embarcamos nas dores dos dois.
Já o episodio sete mostra Benny de volta ao lugar aonde cresceu, ao ambiente onde manter uma mentira era o que fazia o tempo todo e com todos. Sentimos aquela descida aos círculos do inferno no qual em parte o acompanham Carmen e Grace. Mas de repente vem a sequência na qual Grace canta Welcome to the Black Parade . É quando, por um tempo, a série fica bem mais criativa, com visual bem mais interessante, sem o humor forçado, com muito de humano. Nesse momento os três se erguem acima de todo aquela mediocridade opressora.

E assim, naquela elevação do nível geral da primeira temporada, ficamos torcendo pela segunda, quando em alguns momentos antes ainda nos perguntávamos se chegar ao fim da primeira temporada valeria a pena. Assista, se puder.










































