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Os altos e baixos de Não Abra!

Quantos e quantos filmes de terror estreiam nos cinemas e no streaming. O problema é que cada vez mais está difícil encontrar uma história original, ou mesmo que realmente assuste. Não abra, que estreia nessa quinta nos cinemas, e vem dos mesmos produtores de Corra!, tem um pouco de ambos. Tem algumas cenas realmente assustadoras (a do armário para mim é a mais terrível). E tem um ponto de vista interessante ao escolher uma família indiana como protagonista, incorporando a cultura deles à história. É um bom começo, mas ainda falta um tanto para ficar na lembrança.

Isso porque depois de um início sangrento, Não Abra fica um bom tempo sem uma cena que assuste. Até a metade do filme acabamos mais envolvidos com uma história sobre a adaptação de Sam ( a boa Megan Suri, da série Eu Nunca) à vida numa escola americana. Moradora de um subúrbio com sua família conservadora, Sam luta para lidar com várias inseguranças culturais. Estas acabam aumentando por causa do distanciamento de sua amiga, Tamira (Mohana Krishnan) – que nos últimos tempos carrega consigo um misterioso jarro vazio.

Após um desentendimento com a amiga, em um momento de raiva, Sam acaba quebrando o jarro. Só que ela jamais poderia imaginar que, ao fazer isso, libertaria uma força demoníaca antiga e extremamente perigosa que sequestra Tamira. Desesperada, Sam faz de tudo para encontrar a amiga. O problema é que  sua busca faz com que ela mesma acabe na mira do demônio. Correndo sério perigo, ela deve desvendar segredos enterrados há muito tempo por seus ancestrais para conseguir se livrar da entidade que se alimenta de seus medos mais profundos.

O que achei?

A primeira sequência é aterrorizante. Entretanto depois, até quase metade do filme, Não Abra passa mais a ser um drama sobre adaptação a uma outra cultura do que propriamente um filme de terror. O interessante é que Sam parece ser bem recebida pelos colegas – e pelo menino bonito que está visivelmente interessado nela. O conflito é até maior com sua mãe, que tem medo de tudo.

A partir da metade, quando Tamira desaparece, a coisa começa a mudar. Há algumas cenas bem interessantes – e a do armário, sobre a qual já falei. Megan Suri é eficiente, e a atriz que faz a mãe, Neeru Bajwa, também. E como sempre nesses casos, o final, com um único close do rosto de Sam, já deixa a porta escancarada para uma sequência. Considerando que o filme foi badalado – ganhou até o prêmio do público no SXSW – é bem provável que aconteça.

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