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Bad Night, um filme diferente

Já falei algumas vezes que a cada dia a forma de assistir conteúdo está mudando. E creio que isso é uma coisa muito boa. Afinal, sempre haverá o espaço para quem gosta de assistir os grandes blockbusters numa tela enorme, para aqueles que preferem esperar para assistir no DVD ou na Netflix e ainda aqueles que não se incomodam de assistir na TV. E quem produz conteúdo também está de olho em outros formatos, como lançar uma produção original diretamente na internet , por exemplo. A Monica Sufar está em Los Angeles e conversou com exclusividade com o produtor do filme Bad Night, que usa justamente essa plataforma.Veja abaixo:

Bad Night, um filme diferente

Bad Night é um filme diferente. Não pela sua história, mas pelas atrizes principais e seu modelo de distribuiçãoComédia de ação protagonizada por Lauren Elizabeth Luthringshausen e Jenn McAllister, sensações no YouTube nos Estados Unidos, é a primeira produção cinematográfica da produtora e distribuidora independente americana GRB.

A história é simples. Durante um passeio da escola, Kate e Abby são confundidas por duas ladras de arte. Elas são perseguidas durante uma noite que vai ser inesquecível. Até aí, nada de novo, né? Porém a novidade é que esse filme foi criado para ser distribuído prioritariamente na internet. Isso aí, nada de salas de cinemas. Numa conversa com um dos produtores do filme, Mitch Federer, ele contou exclusivamente para “Blog de Hollywood” como esse projeto saiu do papel.

Mitch and Monica
Monica Sufar na entrevista com o produtor Mitch Federer

Blog de Hollywood – Como surgiu a ideia de fazer um filme direto para a internet?

Mitch Federer – Foi meio que uma engenharia reversa. Sabíamos que queríamos trabalhar com a Lauren e a Jenn, que são amigas na vida real. Então paramos para pensar como montar um projeto para elas. Um projeto que os seus fãs adorariam vê-las, fora do ambiente YouTube. Já tínhamos visto um projeto assim antes, que vendemos os direitos internacionalmente e vimos que é financeiramente viável. Era só uma questão de escolher a história. Nisso, Jenn e Lauren participaram com os diretores em Camp Takota, que teve um formato parecido.

Lauren Elizabeth Luthringshausen e Jenn McAllister

BH – Mas como vocês fizeram para promover o filme sem a ajuda de um lançamento nas salas de cinema?

MF – A ideia foi confiar no público já cativo das estrelas do filme. Entre Jenn e Lauren são mais de 3 milhões de assinantes. Depois disso, fomos atrás dos atores que também tem um grande número de seguidores no mundo digital e usamos os mecanismos tradicionais de marketing, também nas plataformas digitais. O nosso filme é para o público de 13 – 24 anos. E eles não estão mais na TV, ou no cinema, como antes. Eles estão online.

BH – Por isso então a presença de atores de VEEP (Matt Walsh), Saturday Night Live (Casey Wilson) e The Mindy Project (Adam Pally), no filme ( além, é claro, de Molly Ringwald!!).

MF – Sim, eles falam diretamente com o público que queríamos atingir.

BH – Houve aí um grande voto de confiança em montar todo um projeto desse valor para duas youtubers sem experiência anterior

MF – Mais ou menos. Afinal das contas, elas estão em frente às câmeras no YouTube há mais de sete anos. E  estavam cercadas por excelentes e generosos atores que contribuíram para um ambiente alegre e leve.

BH – Teve também o motorista de Uber, assunto tão em voga hoje em dia…

MF –Ele transformou o papel!! Os atores secundários eram tão bons, que tornaram personagens pequenos em grandes momentos do filme.

BH – Você pode explicar um pouco mais como funcionou o modelo de negócio?

MF – Claro. O primeiro passo foi encontrar um parceiro para lançar o filme em TVOD (video on demand transacional). Já sabíamos que o filme teria um potencial de três milhões de downloads e com isso fechamos um acordo com o Vimeo. Parte do pacote, além do filme, era o tradicional material adicional que estamos acostumado a encontrar no DVD. Behind the Scenes, Bloopers, entrevistas, etc. Depois disso, asseguramos uma segunda janela no modelo de SVOD (video on demand por assinatura)com a Netflix. Agora estamos saindo para o mercado internacional.

BH – O filme foi lançado nos Estados Unidos há dois meses. Como têm sido os resultados?

MF – Posso te dizer que esse é um modelo que vai seguir. Já temos outros projetos na fila. Bad Night recuperou os custos de produção quatro semanas antes do seu lançamento. Muito animador ver onde o modelo nos está levando.

O filme teve até direito a pré-estreia. Aqui. os diretores Chris Riedell e Nick Riedell na ocasião

BH – Agora, alguns números, se você pode nos passar. Orçamento do filme?

MF – Menos de seiscentos mil dólares.

BH – Vendas no Vimeo?

MF – Satisfatória.

BH – Isso não é um número…

MF – (risos) nós não estamos divulgando isso. Mas os números tem sido suficientes bons para nós continuarmos com esse modelo de negócio.

BH – Então deixo você escolher quais números que quer me passar.

MF – Vamos lá, foram 15 dias de filmagem. Oito semanas para escrever o roteiro, depois que o elenco já estava confirmado, três semanas de pré-produção, oito locações, e finalmente os 15 dias de filmagem. Portanto, da concepção ao lançamento, foram praticamente nove meses.

BH – É um bebê!

MF – Sim! É o nosso bebê. E algo completamente impossível num sistema tradicional de estúdio. Além do que o nosso know-how de produtora de series não-ficção ajudou bastante. Rápido, barato, eficiente.

BH – Ultimas palavras?

MF – Sim. Bad Night está disponível no Brasil na Netflix e em breve no iTunes.

BH – É isso aí. Obrigada!

 

 

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