A brilhante sátira de A Morte de Stalin

Eu respeito muito atores, diretores e roteiristas que se aventuram em um filme de humor negro. Afinal, fazer rir com situações mórbidas ou politicamente incorretas é extremamente difícil, a probabilidade que o resultado seja um grande desastre é alta. Então, é preciso reconhecer quando se assiste a um filme tão bom do gênero, como é o caso de A Morte de Stalin, que vai estrear amanhã nos cinemas. Creio que nunca havia visto um filme tão bem-sucedido nesse tipo de humor (pelo menos, não me lembro). Já é um bom candidato para ir para a lista de melhores do ano.

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O filme já começa com uma sequência brilhante, onde o produtor de uma rádio se desespera quando Stalin pede uma gravação da apresentação ao vivo de um concerto que ele acabara de ouvir no rádio. Só que não foi feita uma gravação. O desespero de todos os envolvidos é trágico, pois sabem que se não atenderem o pedido do todo poderoso da então União Soviética , serão penalizados com a morte. Só que o filme mostra esse desespero de uma maneira extremamente divertida, inclusive a forma de convencer a pianista rebelde (Olga Kurylenko) a tocar novamente.

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Tudo isso vai levar ao momento que dá o título ao filme, a morte de Stalin. Quando ela acontece, os homens do seu séquito, e possíveis substitutos, começam uma guerra interna. A constituição dita que Malenkov (Jeffrey Tambor) será o escolhido, mas está na cara que ele não ficará muito tempo ali. A briga fica restrita a Beria (Simon Russell Beale) e Kruschev (Steve Buscemi), que têm que conseguir o apoio dos demais. Quem conhece um pouco da história da época  – os personagens são reais – sabe quem ganha, mas é provável que a maioria não tenha nem ideia do que se trata, portanto sem spoilers (rs) aqui.

O filme ainda traz alguns coadjuvantes de luxo, como Andrea Risenborough (Animais Noturnos) e Rupert Friend (Homeland) como os filhos de Stalin. E o ótimo Jason Isaacs, conhecido dos fãs de Harry Potter como Lucius Malfoy, está muito bem como Georgy Zhukov, o chefe do exército, que será figura determinante na decisão de quem será o sucessor de Stalin. Só que na verdade, o filme pertence mesmo a Buscemi e Beale. Beale especialmente, como o mais vilão entre os vilões, arrasa. Totalmente diferente de a última vez que o vi, na maravilhosa série Penny Dreadful. Seus diálogos são certeiros e brilhantes.

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Mas é preciso deixar claro que o filme não é para todo o mundo. Afinal nem todos gostam de humor negro. E quando se faz rir diante de situações tão dramáticas e tétricas, com tanta violência presente a todo o momento, é bom deixar aqueles que podem não gostar devidamente avisados.

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